Rebeldes sírios dizem Exército luta em Salaheddine

Rebeldes sírios disseram ter retomado na quinta-feira o controle sobre partes de um bairro estratégico de Aleppo, após resistirem a um ataque das forças do presidente Bashar al-Assad, que tentam expulsar os insurgentes da maior cidade síria.

HADEEL AL SHALCHI, Reuters

09 de agosto de 2012 | 09h16

Segundo os rebeldes, os tanques se retiraram de Salahedddine, na entrada sul de Aleppo, e os combates continuam acontecendo em alguns pontos do bairro, embora a imprensa oficial síria tenha dito na quarta-feira que o bairro foi "limpo" dos rebeldes.

Enquanto a batalha de Aleppo continua, o Irã, principal aliado de Assad na região, reuniu chanceleres para discutir formas de solucionar o conflito. A Rússia, que tem dado uma ajuda decisiva a Assad, disse que seu embaixador em Teerã vai participar

Assad precisa vencer a batalha por Aleppo para reafirmar sua autoridade em nível nacional, mesmo que a concentração de forças militares para essa ofensiva desguarneça outras partes do norte da Síria, permitindo que os rebeldes ocupem o espaço deixado.

Como parte de uma ofensiva militar mais ampla, as forças de Assad atacaram os rebeldes em vária frentes, inclusive em um bairro próximo ao aeroporto, na zona sudeste de Aleppo, além de vários bairros no leste da cidade, e uma localidade na periferia noroeste, segundo a imprensa estatal.

Jornalistas da Reuters em Tel Rifaat, 35 quilômetros ao norte de Aleppo, viram um jato da Força Aérea mergulhando e disparando foguetes, causando uma fuga em pânico dos moradores.

Abu Ali, comandante de uma brigada rebelde, disse à Reuters em Aleppo que reuniu 400 combatentes da brigada Amr bin al Aas em resposta à ofensiva militar de quarta-feira em Salaheddine.

"Estamos aqui para sermos martirizados", disse ele aos seus homens. Preso a uma cadeira de rodas por causa de um recente ferimento, ele coordenou as operações via walkie-talkie.

"Em Salaheddine, há agora certas áreas controladas pelo Exército Sírio Livre (força rebelde), e alguns pelo Exército sírio", disse Abu Ali, acrescentando que seus homens controlam a principal praça do bairro.

Apesar das persistentes preocupações dos rebeldes com a escassez de munição, Abu Ali disse, sem entrar em detalhes, que eles foram capazes de manter alguns suprimentos chegando aos combatentes.

No Irã, o presidente Mahmoud Ahmadinejad disse que os participantes da conferência sobre a Síria em Teerã são países com uma "posição correta e realista" sobre o conflito da Síria, o que indica que nenhum governo que apoia a oposição iria estar presente. A lista oficial de participantes não foi divulgada.

Ahmadinejad disse que o evento será uma oportunidade para "substituir os confrontos militares por abordagens políticas e nativas à resolução das disputas".

Diplomatas ocidentais em Teerã criticaram a iniciativa. "O apoio da República Islâmica ao regime de Assad dificilmente é compatível com uma tentativa genuína de reconciliação entre as partes", afirmou um deles.

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