Rebeldes sírios pedem zona de exclusão aérea

Os rebeldes sírios que combatem as forças do presidente Bashar al-Assad precisam da proteção de zonas de exclusão aérea e refúgios patrulhados por forças estrangeiras perto das suas fronteiras com Jordânia e Turquia, segundo um líder oposicionista da Síria.

HADEEL AL SHALCHI, Reuters

13 de agosto de 2012 | 08h47

Os combates prosseguiram no domingo na cidade de Aleppo, no norte do país, onde tanques, artilharia e francoatiradores atacaram rebeldes em Saif al-Dawla, vizinho ao devastado bairro de Salaheddine.

Civis sírios, desesperados para conferir a situação das suas casas, infiltravam-se pelas fluidas frentes de combate nos arredores de Salaheddine, embora os francoatiradores disparassem, e os rebeldes os aconselhassem a ir embora.

O chefe do Conselho Nacional Sírio, Abdelbasset Sida, disse que os Estados Unidos chegaram à conclusão de que a ausência de uma zona de exclusão aérea que contenha a ação da aviação do governo está atrapalhando a movimentação dos rebeldes.

Na véspera, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que seu país e a Turquia estudariam algumas possíveis medidas para ajudar os inimigos de Assad, incluindo a zona de exclusão aérea, embora ela tenha indicado que nenhuma decisão é necessariamente iminente.

"Uma coisa é falar de todos os tipos de ações em potencial, mas não se podem tomar decisões razoáveis sem fazer uma análise intensa do planejamento operacional", disse ela depois de se reunir em Istambul com o chanceler turco, Ahmet Davutoglu.

Embora uma intervenção pareça improvável, seus comentários foram o mais perto que Washington chegou até agora de sugerir uma ação militar direta na Síria.

"Há áreas que estão sendo liberadas", disse Sida à Reuters desde Istambul. "Mas o problema é a aviação, além do bombardeio de artilharia, causando morte e destruição."

Ele disse que o estabelecimento de áreas protegidas nas fronteiras com a Jordânia e a Turquia é "uma coisa essencial, que confirmaria ao regime que seu poder está diminuindo pouco a pouco."

Uma zona de exclusão aérea imposta pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e por aliados árabes ajudou os rebeldes líbios a derrubarem o regime de Muammar Gaddafi no ano passado.

O Ocidente, no entanto, demonstra pouco apetite por repetir aquele tipo de intervenção na Síria. Rússia e China se opõem terminantemente a qualquer intervenção estrangeira no conflito sírio.

Nas últimas semanas, os insurgentes sírios ampliaram seu domínio nos arredores da fronteira com a Turquia, já que o Exército preferiu concentrar suas forças para retomar o controle sobre Aleppo, maior cidade e principal polo comercial do país.

(Reportagem adicional de Tom Perry, em Beirute; de Khaled Yacoub Oweis, em Amã; e de Ayman Samir, no Cairo)

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