Reconstituição do crime da Mega-Sena não ajuda investigação

Recomposição da morte de Altair durou apenas 40 minutos e só teve participação da polícia e do suspeito

Tatiana Fávaro, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2008 | 18h12

A Polícia Civil de Limeira fez nesta quarta-feira, 26, a reconstituição do assassinato do comerciante Altair Aparecido dos Santos, de 44 anos, morto com um tiro no peito no dia 16. "Para nós, da investigação, não mudou nada. Talvez ajude a Polícia Técnica", afirmou o investigador Gildo Ciola. "Mesmo assim vamos outras pessoas e apurar outros indícios, pois há questões sobre a motivação do crime, a arma (um revólver calibre 32 que não foi encontrado) e o possível envolvimento de outras pessoas", disse.   Veja também: Local da morte de ganhador da Mega-Sena foi alterado, diz IC Suspeito nega ter matado ganhador da Mega-Sena em Limeira  Problemas que a Mega-Sena traz aos ganhadores      Participaram o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), João Batista Vasconcelos, três investigadores, peritos da Polícia Técnica e o suspeito, durou cerca de 40 minutos. A família da vítima não participou. Altair foi um dos 14 ganhadores de um prêmio de R$ 16 milhões da Mega-Sena em maio do ano passado. Santos foi morto após parentes e amigos deixarem sua chácara, no Condomínio Residencial Portal das Flores, após churrasco do oitavo aniversário de seu único filho.   Na terça-feira, a polícia prendeu Diego Sebastião dos Santos, de 21 anos, que confessou ter matado o comerciante. O rapaz disse que a ação - entre chegar ao condomínio pelo terreno baldio nos fundos da casa da vítima, escolher a chácara que ia assaltar, vigiar o local até as pessoas que estavam no churrasco na casa saírem, pular o muro de três metros de altura e anunciar o roubo - durou aproximadamente uma hora e meia.   A polícia acredita que dois outros homens tenham ajudado Diego dos Santos. Em entrevista, na Delegacia Seccional de Limeira, na terça-feira, Diego afirmou ter agido sozinho e estar arrependido. "Peço desculpas à família do rapaz. Não queria arrancar uma vida", disse. Santos contou que pretendia assaltar a residência de Altair. "Atirei porque ele (Altair) reagiu", afirmou. À polícia, disse que não atirou para matar, mas para advertir a vítima. Aos jornalistas, Santos contou que, ao vê-lo armado, o comerciante pegou um cabo de vassoura e caminhou em sua direção.   Fugitivo da penitenciária Professor Ataliba Nogueira, em Campinas, Santos já foi condenado a 13 anos de prisão por dois casos de roubo, cumpriu três anos de uma das penas e fugiu do presídio no dia 4 de outubro. Deve ser enquadrado, no inquérito policial sobre a morte de Altair dos Santos, no crime de latrocínio. A polícia aguarda laudos técnicos e apura informações sobre um seguro de vida no nome da vítima, de aproximadamente R$ 70 mil.

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