Recuperação de baleias-cinzentas pode ser falsa, diz estudo

A população original da espécie no Pacífico, há centenas de anos, seria muito maior que o estimado atualmente

Associated Press,

10 de setembro de 2007 | 19h52

Uma das grandes histórias de sucesso da conservação da vida nos oceanos, o retorno da baleia-cinzenta do Oceano pacífico, pode ter sido baseada em um erro de cálculo, dizem cientistas em um estudo baseado em genética das baleias.   O que se supôs que seria um próspera população de baleias é, na verdade, um grupo que muitas vezes passa fome por conta da redução do suprimento de comida, afirma um dos co-autores do trabalho,  o professor de estudos marinhos Stephen Palumbi, da Universidade Stanford. O principal suspeito na anomalia é o aquecimento global.   Cientistas podem ter subestimado os números históricos de baleias cinzentas do México ao Alasca, de acordo com o trabalho publicado nesta segunda-feira no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences. Isso pode ter levado a um erro no diagnóstico da causa das surpreendentes ondas de mortandade entre a espécie e da aparição de muitas baleias consideradas "magrelas".   No início deste mês, o serviço Nacional de Pesca Marinha dos EUA informou que pelo menos 10% das baleias-cinzentas que retornaram às áreas tradicionais de reprodução da espécie na Baixa Califórnia mostravam sinais de desnutrição.   Algumas até tinham ossos salientes.   O novo estudo conclui que a população original da espécie no Pacífico, há centenas de anos, estava mais próxima de 100.000 do que das estimativas convencionais para a época, de 20.000 a 30.000. Os pesquisadores afirmam isso com base na diversidade do DNA da espécie, deduzida com o exame do código genético de 40 baleias. Se a população original realmente era o quíntuplo da atual, os problemas recentes da espécie passam a se mostrar ainda piores.   A baleia-cinzenta foi o primeiro mamífero marinho a sair da lista de animais ameaçados de extinção, em 1994. Os cientistas haviam imaginado que uma população de 20.000 baleias seria o normal, e quando os animais começaram a aparecer mortos, entre 1999 e 2000, supôs-se que era apenas a natureza restabelecendo o equilíbrio.   Mas agora o trabalho de Palumbi sugere que os oceanos já forma capazes de alimentar muito mais baleias que a população atual.   Alguns cientistas dizem que o trabalho de Palumbi faz sentido, mas o biólogo de pesca Jeff Breiwick, que trabalha no censo de baleias-cinzentas do laboratório Nacional de mamíferos Marinhos pergunta: onde foram parar as 80.000 baleias que ninguém nunca viu?    Breiwick e outros pesquisadores usaram modelos de computador para estimar o nível de caça às baleias desde o século 17. Explicar um número tão alto de baleias vivendo no passado exigira a captura de três baleias ao dia, durante quatrocentos anos.   Para Palumbi, a resposta é que as baleias extras eram da Ásia. Ele crê que o número de 100.000 inclui as variedades do pacífico leste e do pacífico Oeste, animais muito parecidos e que só são distinguidos por meio de testes genéticos. O grande declínio pode ser explicado pela caça promovida na Ásia.

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