Recuperação divide economistas

Alguns estão convencidos de que a recessão acabou, outros ainda têm dúvidas sobre a sua sustentabilidade

Nalu Fernandes, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

A expansão da economia americana no terceiro trimestre ainda não convenceu plenamente todos os economistas de que a recessão acabou. O presidente do EM Capital Management, Seth Freeman, por exemplo, questionou a sustentabilidade do crescimento.

Ele recomenda aos investidores atenção ao que vai acontecer no varejo americano na temporada de festas de fim de ano. Segundo ele, esse será um bom teste para verificar o humor das famílias. Até agora, lembra ele, os varejistas com melhor desempenho são as lojas de desconto.

O economista sênior para os Estados Unidos da Capital Economics, Paul Ashworth, no entanto, não parece ter mais dúvidas. "A recuperação da economia à taxa anualizada de 3,5% no terceiro trimestre confirma que a mais severa e longa recessão desde a década de 1930 está superada", disse.

"Trata-se apenas de uma correção técnica", disse o analista do ING, Rob Carnell, já que não se pode "ignorar a relativa baixa qualidade do crescimento".

O PIB melhor deve fomentar também o debate sobre o resultado do encontro de 3 e 4 de novembro da versão americana do Comitê de Política Monetária (Fomc, em inglês) do Federal Reserve (Fed). É praticamente consenso entre os economistas que o número desta quinta-feira não é suficiente para levar o Fed a subir o juro, mas circulam comentários de que o comunicado pode trazer alguma mudança em sua linguagem, preparando sutilmente o mercado para a retirada do estímulo monetário.

Os dados do PIB não são "fortes o suficientes para trazer expectativas de alta do juro", disse o estrategista internacional do RBS, Alan Ruskin, acrescentando que também não são tão fracos para encorajar conclusões de que a recuperação esteja vacilando.

De fato, os componentes do PIB mostraram uma recuperação de vários setores. Os estoques das empresas caíram US$ 130 bilhões no período, ante queda de US$ 160 bilhões no segundo trimestre, adicionando 0,94 ponto porcentual ao PIB.

As vendas reais finais de produtos domésticos, correspondentes ao PIB menos a variação nos estoques das empresas, subiram à taxa anualizada de 2,5% no terceiro trimestre. No segundo trimestre, as vendas reais finais de produtos domésticos subiram 0,7%.

Os gastos federais aumentaram 7,9% no terceiro trimestre, após alta de 11,4% no segundo trimestre.

O comércio internacional também ajudou o PIB. As exportações do terceiro trimestre subiram 14,7%, enquanto as importações caíram 16,4%. Os investimentos das empresas reduziram 0,24 ponto porcentual do PIB, caindo 2,5% no terceiro trimestre, mas foi a menor queda desde uma pequena variação positiva registrada no segundo trimestre de 2008.

EMERGENTES

Apesar da expansão da economia dos Estados Unidos no terceiro trimestre do ano, o enfraquecimento do dólar no mercado internacional e a mudança de hábito das famílias no país - com correspondente enfraquecimento da demanda consumidora - são obstáculos ao aumento da demanda nos EUA pelas exportações dos emergentes, diz Seth Freeman, da EM Capital Management, que administra cinco fundos de investimentos dedicados às economias emergentes.

"O valor do dólar vai afetar mais ainda o mundo. A moeda está sob pressão e o dólar vai continuar enfraquecido por algum tempo. Isto favorece as exportações dos Estados Unidos e encarece as importações feitas pelo país", disse.

COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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