'Recursos estão assegurados', diz secretário do MCTI

Projeto é considerado prioritário pela pasta, que promete bancar a diferença caso falte dinheiro no final

O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2013 | 02h06

Os R$ 650 milhões necessários para colocar o Sirius de pé e funcionando ainda não estão garantidos legalmente, mas o secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Elias, garante que eles aparecerão. "Estamos ainda finalizando algumas negociações, mas posso te dizer que os recursos estão assegurados", disse ao Estado na quinta-feira. "Estamos no cronograma e não haverá atrasos. O projeto vai acontecer."

Segundo ele, o ministério está negociando com vários parceiros para dividir os custos do projeto e ampliar o leque de usuários da máquina, tanto no setor público quanto no privado. Entre eles, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Petrobrás e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além de outras fundações e empresas nacionais.

"O MCTI está assegurando isso como um projeto estratégico para o País", afirma Elias. "Eventualmente, caso não se garanta alguma parte desses R$ 650 milhões, o ministério vai bancar (o que faltar)."

O projeto executivo, que custou R$ 6 milhões, deve ser finalizado em julho. O terreno onde o prédio será construído, de 150 mil m², que pertence ao banco Santander, está sendo desapropriado pelo governo do Estado (por R$ 23 milhões) e será cedido ao LNLS para o projeto. Faltam apenas algumas etapas burocráticas para a terraplanagem começar.

Confiança. Para o engenheiro e físico Ricardo Rodrigues, principal responsável pelo projeto, o maior desafio de construir o Sirius será o "excesso de experiência" adquirido pela equipe nos últimos 30 anos, desde que ele, em 1984, recrutou três alunos de graduação para ir a Stanford fazer um estágio e desenvolver com ele o projeto do acelerador atual.

"Sempre digo para o pessoal que começou comigo: 'Isso só deu certo porque vocês foram idiotas o suficiente para acreditar que daria'", conta Rodrigues - rindo e falando sério ao mesmo tempo. "Hoje já está todo mundo muito calejado, muito pessimista."

Ainda assim, ele mantém o otimismo e espera colocar sua experiência "calejada" em prática o mais rápido possível. "Se sair o dinheiro, garanto que entrego para as Olimpíadas."

Assim como a máquina atual, o Sirius será construído majoritariamente (cerca de 70%) no Brasil. /H.E.

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