Reeleição de presidente abre chance de solução para impasse na Itália

O recém-reeleito presidente da Itália, Giorgio Napolitano, leva adiante na segunda-feira seus esforços para formar um novo governo e encerrar dois meses de impasse político no país.

JAMES MACKENZIE, Reuters

22 de abril de 2013 | 12h18

A reeleição dele animou os mercados financeiros, que abriram em alta na segunda-feira. Os juros pagos aos títulos públicos italianos com vencimento em dez anos caíram fortemente (em relação aos títulos alemães que balizam o mercado), e as ações de empresas locais estão entre as maiores altas na Europa.

Napolitano, de 87 anos, é o primeiro presidente a ser reeleito na Itália. Ele pretendia deixar o cargo ao final do mandato, em 15 de maio, mas acabou cedendo no sábado aos apelos dos partidos que, em sucessivas votações no Parlamento, haviam sido incapazes de eleger um novo chefe de Estado.

Napolitano discursará ao Parlamento às 17h (12h em Brasília), quando deve pedir rapidez na formação de um novo gabinete, provavelmente já a partir de quarta-feira, com um programa de reformas para a economia italiana e as ineficientes instituições políticas locais.

Os jornais italianos disseram que o ex-premiê Giuliano Amato, de 75 anos, é o favorito de Napolitano para comandar um novo gabinete, que provavelmente irá misturar tecnocratas e políticos de partidos tradicionais.

Mas as profundas divisões dentro do Partido Democrático, que tem a maior bancada parlamentar, reforçam as dúvidas sobre a estabilidade do futuro gabinete.

O líder do PD, Pier Luigi Bersani, anunciou sua renúncia na sexta-feira, depois que facções rebeldes do partido sabotaram duas tentativas de eleger candidatos presidenciais de centro-esquerda, o que deixou grupos rivais no controle do processo.

As divisões no PD deixaram o bloco centro-direitista comandado por Silvio Berlusconi com uma vantagem decisiva, mas ao mesmo tempo tornam improvável que a dividida bancada de centro-esquerda vá oferecer apoio sólido ao novo gabinete.

Complicando a situação, o partido alternativo Movimento 5 Estrelas, terceira maior força parlamentar, comandada pelo comediante Beppe Grillo, protestou contra a recondução de Napolitano ao cargo e anunciou que fará oposição ao novo governo, que segundo Grillo está sendo montado apenas para proteger a desacreditada classe política.

A opinião pública também reagiu mal a solução, e milhares de pessoas fizeram um protesto no domingo. Dario Franceschini, dirigente do PD, foi vaiado por frequentadores de um restaurante onde jantava, no centro de Roma.

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