Reforço do EFSF é 'uma boa proposta', diz Mantega

O reforço do fundo de resgate europeu (EFSF, na sigla em inglês) é uma "boa proposta", disse nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltando, porém, que ainda faltam detalhes a serem acertados pelos líderes da região.

REUTERS

27 de outubro de 2011 | 18h45

"O fundo europeu, reforçado com a possibildade de dar garantias que podem alavancar em até quatro, cinco vezes chegando a até 1 trilhao (de euros), é uma boa novidade, é uma boa proposta", disse Mantega, comentando o acordo anunciado nesta madrugada.

O ministro, no entanto, mostrou preocupação com o tempo necessário para que as medidas sejam adotadas.

"O que me preocupa é o tempo, se nós teremos o tempo necessário para implementação sem que haja uma deterioração da economia mundial. As medidas são boas, são eficientes, mas nao sei se são suficientes", afirmou.

Mantega disse que as linhas gerais do plano europeu mostram um "instrumental mais forte para o enfrentamento da crise". Ele citou como ponto positivo a proposta de redução em 50 por cento do valor nominal da dívida da Grécia, mas citou que não está claro se os bancos privados vão aceitar a medida.

"Foi decidido que a dívida grega será reduzida em 50 por cento, mas não está claro se os bancos privados vão aceitar essa redução porque a redução é voluntária. Se os bancos aceitarem acho que é uma boa proposta, é um bom caminho para diminuir a pressao sobre a Grécia", afirmou.

O ministro disse ainda que não está claro qual o papel do Banco Central Europeu no enfrentamento das turbulências. "Não sei se o BCE vai ter o raio de manobra para enfrentar as dificuldades."

DÍVIDAS NOVAS

Mantega fez os comentários após a assinatura de um termo de entendimento para a ampliação do crédito fiscal para 10 Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que estão em dia com as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia e Sergipe podem assumir novas dívidas num total de até 15,7 bilhões de reais. Outros Estados poderão aderir, mas dependerão de um novo acordo no próximo ano.

"Nao sabemos quais serão os desdobramentos da crise. É importante que o Brasil nao deixe a peteca cair, ampliando a capacidade de investimento. Os Estados precisam de elevado nível de investimento... para viabilizar um crescimento maior", afirmou.

As linhas de crédito poderão ser contratadas com Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Caixa Econômica Federal, Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird).

(Reportagem de Tiago Pariz e Jeferson Ribeiro)

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