Reforma educacional gera polêmica na Venezuela

Professores e oposição criticam proposta chavista de currículo bolivariano.

Claudia Jardim, BBC

04 de abril de 2008 | 18h45

A proposta de uma reforma educativa na Venezuela vem provocando ameaças de greve de professores e manifestações a favor e contra o governo do presidente Hugo Chávez. A reforma prevê a criação de um currículo "bolivariano" que, na visão do governo venezuelano, seja "libertador e humanista" e se desprenda do modelo atual, supostamente orientado por "valores eurocêntricos e norteamericanistas". As mudanças vinham sendo elaboradas desde o ano passado, mas os protestos foram detonados pela determinação do governo de que os docentes das redes públicas e privadas realizassem um curso de capacitação para a aplicação do novo currículo. A Federação Venezuelana de Professores disse que a reforma "piora a educação" e a oposição tachou o novo currículo de "doutrinador".Diante da polêmica e em ano de eleições municipais, o governo retrocedeu. Chávez propôs na noite de quinta-feira que as modificações do currículo sejam definidas apenas em 2009, por meio de um referendo popular. "Podemos fazer um referendo com dois modelos, o nosso e a oposição que apresente o seu", disse o presidente, que defendeu um "grande debate" sobre o assunto em 2008. HeróisChávez disse ter discordado de alguns aspectos do novo currículo bolivariano e indicou ao ministro de Educação Adán Chávez, que é seu irmão, que o projeto deve ser "mais amplo". "O desenho curricular educativo não pode ser elaborado para promover somente o modelo socialista, tem que ser amplo. Discutamos o que é o socialismo e o que é o capitalismo", disse Chávez. Ele não deixou claro, porém, se os cursos de capacitação serão interrompidos até a data do referendo. "Se esse não é o currículo que vai (ser implementado) e sim o que surgirá de uma consulta, que deve ser mais reflexiva que eleitoral, a implantação desses cursos deve ser suspensa ", disse Nelson González, presidente da Federação de Trabalhadores do Magistério, ao canal de TV Globovisión. Apesar da proposta de referendo, a Federação do Magistério e a de Professores prometem realizar protestos nos próximos dias. "Nosso objetivo é rebelar-nos contra uma reforma curricular que consideramos que piora a educação", disse a jornalistas Orlando Alzuru, presidente da Federação Venezuelana de Professores. Currículo bolivarianoO currículo bolivariano propõe que no primeiro grau os alunos conheçam os "heróis" da história venezuelana como Simón Bolívar, Ezequiel Zamora e Simón Rodríguez. Os personagens da independência da América Latina e o educador brasileiro Paulo Freire também estão contemplados no novo currículo. Um dos aspectos que mais têm sido criticados pelos opositores é a atualização da história recente do país a partir de 1999, quando se instaurou a chamada Revolução Bolivariana. "O povo não vai permitir que sejam impostas decisões que violem seus direitos e que atentem contra o futuro de seus filhos", disse Manuel Rosales, líder da oposição, governador do Estado de Zulia, durante entrevista coletiva nesta sexta-feira. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
venezuelachavezeducação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.