Região do Butantã é campeã de dengue em São Paulo

Levantamento aponta 5.665 casos na capital; incidência está ligada à densidade populacional

Marici Capitelli JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2010 | 00h00

Levantamento da Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa), da Prefeitura de São Paulo, aponta que a cidade registrou 5.665 casos de dengue até o dia 27 de outubro. O número já é mais que o dobro das ocorrências de 2007 que foram 2.526.

A região do Butantã, na zona oeste, é a que tem maior incidência da doença com 391,6 casos por 100 mil habitantes. A Vila Sonia, na mesma área, aparece em segundo lugar no ranking com 264,7 casos por 100 mil habitantes. O coeficiente médio na Capital é de 51,2 por 100 mil moradores.

De acordo com o médico virologista Celso Francisco Granato, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a incidência da dengue tem relação direta com a concentração do mosquito Aedes aegypti em cada região.

Os fatores determinantes para a proliferação do mosquito são: cobertura vegetal, quantidade de chuva, tipo de habitação e densidade demográfica. "Áreas mais arborizadas como o Butantã têm uma tendência maior a ter mosquitos. Isso porque a água se acumula nas plantas e em pequenos lagos criando um ambiente propício para o inseto".

Outra característica dessa região é a predominância de moradias térreas. "Bairros que têm mais casas costumam ter mais áreas expostas, mais quintais com plantas e, consequentemente, mais água parada para os mosquitos", afirmou Granato.

A densidade demográfica também contribui para a maior incidência da doença. Segundo Granato, o mosquito voa num raio de 300 metros do local onde procria. Isso significa que quanto maior o número de pessoas que ele encontrar nesse raio, maior o número de transmissões.

Agentes. São Paulo tem um programa permanente de combate à dengue com 2.400 agentes de zoonoses. Existe também uma integração com profissionais da rede de atenção básica formada por 5.700 pessoas que visitam as residências para monitorar pacientes em atendimento na saúde da família. Eles também verificarão a existência de focos de dengue.

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