Raynere Ferreira/AE
Raynere Ferreira/AE

Regiões Norte e Centro-Oeste lideram crescimento populacional, diz Censo

Deslocamento dos brasileiros pressiona a Amazônia e o Cerrado, dois importantes biomas que estão ameaçados de devastação

Wilson Tosta e Felipe Werneck, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2011 | 00h00

Sob impacto de forte migração para o interior, a população nas Regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil aumentou nos últimos dez anos bem acima da média nacional. A marcha para os Estados menos urbanizados - além de acentuar a reversão de uma tendência histórica de deslocamentos populacionais massivos em direção ao litoral - assinala o aumento da pressão ambiental sobre a Amazônia e o Cerrado, importantes biomas ameaçados de devastação.

Os dados se destacam na Sinopse do Censo Demográfico 2010, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também apontou redução do povoamento de mais de 1/4 das cidades - nelas, havia menos habitantes do que no Censo 2000.

No Censo 2010, o Norte e o Centro-Oeste se destacam pelo ritmo do crescimento que apresentam - que, apesar de ter caído na última década, manteve padrão forte. Nessas regiões estão os Estados com as maiores taxas de crescimento: Acre, Amapá, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Roraima e Tocantins - além do Distrito Federal.

A situação contrasta com o resto do País. Apesar de ainda deterem o maior contingente populacional do Brasil, o Nordeste e o Sudeste tiveram incremento semelhante, mas abaixo da média nacional, de 1,17%, a menor da história. A Região Sul ficou com a média mais baixa (mais informações no gráfico ao lado).

Para o IBGE, as diferenças regionais e estaduais se devem principalmente às migrações. Foram elas, dizem técnicos do instituto, que ajudaram a turbinar a população "da fronteira" do País. Em 1980, o Norte e o Centro-Oeste, juntos, tinham 11,4% dos habitantes do País; no ano passado, 15,7%. Já a Região Sul recuou de 16% para 14,4%. "O fluxo migratório já não ocorre em direção aos grandes centros, mas sim aos médios, cidades que são novos polos econômicos", diz o presidente do IBGE, Eduardo Nunes.

Já o sociólogo Donald Sawyer, da Universidade de Brasília (UnB), avalia que a migração contribui pouco para o crescimento populacional nas regiões. "O impacto (na Amazônia e principalmente no Cerrado) não é causado por questão demográfica, mas pela produção de commodities", diz. Segundo ele, ao contrário de atrair população, a expansão de fronteiras agrícola e agropecuária muitas vezes ocupa o espaço do êxodo do campo para cidades como Manaus, a capital que mais cresceu entre aquelas com mais de 1 milhão de habitantes.

Nunes lembra que a Região Norte possui as mais altas taxas de fecundidade do País e diz que há uma combinação de dois fenômenos para o aumento da população nessa região e no Centro-Oeste: o natural e a atração pelo agronegócio. Mato Grosso, por exemplo, onde fica o polo formado por Lucas do Rio Verde, Sinop e Sorriso, foi o que mais cresceu nos últimos 30 anos.

Mudança. Luiz Coelho de Brito, de 49 anos, conseguiu realizar o sonho de se tornar empresário após migrar do Piauí para Roraima. Funcionário de uma grande empreiteira em Piripiri, a 166 km de Teresina, desembarcou em Boa Vista em 1988 para passar as férias. Está lá há 22 anos. "Roraima não tinha nada. Achei que a minha experiência na construção civil faria a diferença." E fez. Empregou-se como consultor em obras de grande porte e dois anos depois fundou sua empresa, a LB Construções. Hoje é dono de 100 máquinas pesadas e emprega 42 pessoas, com faturamento anual de quase R$ 3 milhões. / LOIDE GOMES, ESPECIAL PARA O ESTADO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.