Rei da Jordânia empossa novo governo reformista

O rei Abdullah, da Jordânia empossou o governo reformista no sábado, com a tarefa de implementar as medidas de austeridade necessárias exigidas no acordo empréstimo feito com o FMI.

Reuters

30 de março de 2013 | 16h41

A formação do gabinete foi confirmada após quase três semanas de conversações sem precedentes, lideradas pelo primeiro-ministro Abdullah Ensour, que também foi reconduzido ao cargo no dia 9 de março, depois que o rei consultou os membros do parlamento.

As raras consultas do monarca acontecem depois de uma série de mudanças constitucionais que transferem o poder para fora do palácio - uma resposta aos pedidos de reforma feitos durante as revoltas no mundo árabe e protestos menores na Jordânia.

Antes disso o rei Abdullah escolhia pessoalmente seu primeiro-ministro sem consultar o parlamento e a Câmara de 150 membros não tinha nenhum papel na formação dos governos.

O gabinete anunciado no sábado é o menor em quatro décadas, com 18 ministros.

A nomeação do ex-chefe do banco central Umayya Toukan como ministro das finanças indicou um desejo dos legisladores de seguir em frente com reformas impopulares pedidas pelo FMI em troca de um empréstimo de 2 bilhões de dólares.

Toukan, educado nos EUA, é um forte defensor das medidas fiscais para reduzir anos gastos excessivos por sucessivos governos. O FMI pressionou o reino a liberar o preço dos combustíveis em novembro de 2012, o que gerou vários dias de distúrbio civis, principalmente em áreas rurais e tribais.

Ensour tem enfrentado protestos de manifestantes que argumentam que a mudança dos subsídios amplos, direcionados para transferências de dinheiro aos pobres, era a única maneira de lidar com a crise financeira que elevou o déficit para mais de 12 por cento do PIB e levou a Jordânia a procurar o FMI.

O FMI pressionou o país a continuar a rever o seu caro sistema de subsídios e a aumentar as tarifas de eletricidade, o que, segundo as autoridades, será feito em junho.

Esse mês, o FMI completou sua primeira revisão do acordo do ano passado com a Jordânia e aplaudiu as reformas econômicas de Ensour, dizendo que está vendo alguns sinais de recuperação econômica.

O Fundo disse no dia 11 de março que seu conselho executivo poderia considerar o pedido da Jordânia para a conclusão da primeira revisão já no começo de abril, disponibilizando o segundo lote de cerca de 385 milhões de dólares.

A crise financeira da Jordânia se intensificou devido à queda da ajuda dada pelo Golfo, que tradicionalmente complementa os cofres do país, e a economia também foi abalada pela chegada de uma enxurrada de refugiados, devido à guerra civil que já dura dois anos da vizinha Síria.

(Reportagem Suleiman Al- Khalid)

Tradução Redação São Paulo 5511 5644-7754

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