'Rei Dragão' se casa com plebeia no misterioso Butão

O "Rei Dragão" do Butão se casou nesta quinta-feira com uma jovem plebeia em uma antiga fortaleza monástica do Himalaia, bebendo um cálice de ambrosia que simboliza a vida eterna, durante uma cerimônia budista que paralisou este misterioso reino que pouco a pouco vai se rendendo à globalização.

ALISTAIR SCRUTTON, REUTERS

13 Outubro 2011 | 12h30

O rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck vestia uma coroa adornada com uma cabeça de corvo durante a suntuosa cerimônia nesta fortaleza do século 17. A nova rainha, a estudante Jetsun Pema, de 21 anos, filha de um piloto comercial, recebeu uma coroa bordada com seda.

A televisão do Butão -- criada apenas em 1999 -- transmitiu a cerimônia ao vivo para todo o país, que tem 700 mil habitantes. Milhares de pessoas vestidas com coloridas túnicas típicas ficaram do lado de fora da fortaleza. Alguns monges cantaram, outros tocaram tambores, e a fumaça branca do incenso pairava em meio à névoa matinal.

Wangchuck, de 31 anos e que estudou em Oxford, é reverenciado nesta nação isolada, que lentamente adota a democracia desde que o pai dele abdicou, em 2006, para convocar eleições parlamentares inéditas. A monarquia é vista como um fator de estabilização para o país, espremido entre Índia e China.

"Estou feliz. Já faz algum tempo que espero", disse o rei a jornalistas depois da cerimônia. "Ela é um ser humano maravilhoso, inteligente. Ela e eu partilhamos uma grande coisa em comum -- amor e paixão pela arte."

Quando a névoa se dissipava, trompas budistas soaram pelo vale do Punakha anunciando a chegada da noiva numa procissão de cantores, parentes e monges, que cruzaram uma ponte para pedestres tendo à frente um cavalo branco. Elefantes bebês protegiam uma das entradas da fortaleza.

O rei e seu pai entraram em uma câmara sagrada onde jaz o corpo embalsamado do fundador do Butão, morto no século 17. La eles receberam xales budistas sagrados e um cálice de coalhada abençoada, que representa a vida eterna.

O pai do rei, acompanhado por suas quatro esposas, entregou os xales coloridos à noiva, que parecia nervosa.

A três horas de viagem de lá, cartazes com a imagem do casal enfeitam praticamente todos os prédios, postes e praças da capital, Thimphu. Escolares têm publicado poemas em homenagem à nova rainha, chamando-a de "a lua, uma bela heroína, a flor de lótus".

A empresa aérea nacional teve de programar voos extras para dar conta do grande número de visitantes vindos do exterior para o casamento. Tal abertura é algo praticamente inédito no reino, onde o primeiro carro só chegou na década de 1950, o turismo foi proibido até os anos 1970, e os partidos políticos só vieram a surgir quatro anos atrás.

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