Reino Unido autoriza pesquisas com embrião híbrido

Medida permite a criação de embriões híbridos de óvulos animais e DNA humano para fins terapêuticos

Efe,

05 de setembro de 2007 | 13h32

A Autoridade para a Fertilização e Embriologia Humanas (HFEA, em inglês) do Reino Unido decidiu nesta quarta-feira, 5, aprovar, a princípio, a criação de embriões híbridos combinando óvulos de animais e DNA de seres humanos, destinados à pesquisa com fins terapêuticos, informou o próprio organismo. A HFEA autorizou uma polêmica medida que, segundo os cientistas, pode ajudar a conseguir tratamentos para curar doenças como o Mal de Alzheimer e o Mal de Parkinson. No entanto, os cientistas que quiserem usar os embriões híbridos ainda terão que apresentar uma solicitação, afirmou o órgão. Em termos práticos, a decisão do HFEA implica em que as solicitações já feitas por cientistas do King's College de Londres e da Universidade de Newcastle (norte da Inglaterra) poderão ser agora avaliadas por um comitê responsável por dar a licença. A decisão anunciada pela Autoridade para a Fertilização e a Embriologia Humanas foi tomada após vários meses de consultas. As pesquisas realizadas indicam que 61% dos britânicos são a favor da criação desses embriões mistos, frente a apenas 25% que se opõem - no qual se destacam os grupos religiosos. Híbridos Os embriões citoplasmáticos têm 99,9% de DNA humano e só 0,1% de origem animal. Para sua criação, os cientistas usam óvulos de coelha ou vaca, esvaziados de quase toda sua informação genética, e implantam núcleos com DNA de diferentes tipos de células humanas. Os embriões resultantes são majoritariamente humanos, mas nas mitocôndrias, organelas da célula onde se produz energia, fica um resto de DNA de procedência animal. As células-tronco extraídas dos embriões são células não especializadas que podem depois se diferenciar em diferentes tipos de tecido, no que os cientistas tentarão trabalhar no laboratório. Segundo os defensores, o uso de óvulos de animais permitirá resolver a escassez de seus equivalentes humanos, ao fornecer uma fonte quase inesgotável de células-tronco. Atualmente, os cientistas dependem dos óvulos humanos que "sobram" nos tratamentos de fertilização, mas estes são poucos e têm baixa qualidade. Os críticos a essas práticas indicam que atentam contra a distinção que, segundo eles, existe entre o ser humano e o animal, e denunciam que os embriões assim criados serão destruídos após a extração das células-tronco.

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