Reitor renuncia após 70 dias de greve de alunos em Rondônia

Januário Amaral cumpria o segundo mandato na Universidade Federal de Rondônia; ele é acusado de irregularidades

GABRIELA CABRAL , ESPECIAL PARA O ESTADO , PORTO VELHO, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h03

Após ser denunciado por suspeitas de ter sido beneficiado por esquemas de corrupção, o reitor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Januário Amaral, apresentou ontem o pedido de renúncia do cargo, que ocupa pelo segundo mandato. A manutenção dele no cargo motivou uma crise na instituição, que estava em greve há 70 dias e cujo prédio da reitoria era ocupado por estudantes grevistas há 50. A Unir é a única instituição pública de ensino superior do Estado.

Amaral é alvo de mais de dez investigações do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual, que acusam o reitor de participar de um esquema de desvio de verbas da Fundação Rio Madeira (Riomar), ligada à instituição, por meio de convênios ilegais, como pagamento de diárias, ajudas de custo, suprimentos de fundos e viagens sem comprovação da legalidade, funcionários fantasmas, compras e serviços superfaturados ou simplesmente não executados, contratados a empresas de fachada.

Para apurar os fatos, o Ministério da Educação abriu sindicância. O ministro Fernando Haddad afirmou ontem que a decisão pela renúncia foi "correta". "Independentemente de mandato, ele foi eleito pela comunidade", lembrou. "Agora a instituição vai fazer uma consulta para escolher o seu novo dirigente."

Amaral vinha se defendendo, alegando que não foi indiciado, reforçando que as investigações não comprovaram a participação dele em ilegalidades.

Após receberem a notícia da renúncia, estudantes e professores anunciaram comemorações em todos os municípios que possuem câmpus da Unir.

Amaral deve se manifestar apenas amanhã, durante uma entrevista coletiva. Na última manifestação pública, na segunda feira, o ex-reitor apenas se defendeu das denúncias de desvio na Riomar, em resposta a uma reportagem veiculada pelo Fantástico no domingo.

A situação de alguns cursos da instituição é precária, sem laboratório ou salas. O curso de Medicina não tem ainda um hospital universitário, por exemplo.

Um laudo do Corpo de Bombeiros sobre a situação do câmpus de Porto Velho detectou mais de 30 irregularidades, que incluem problemas na rede elétrica e falta de medidas contra incêndio. Professores da instituição também denunciam falta de condições de trabalho.

O Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Ensino Superior (Sesu), estabeleceu uma comissão composta por alunos, professores e representantes da reitoria para garantir melhorias para a instituição e negociar o fim da greve. O pedido de renúncia deve ser encaminhado ao Palácio do Planalto, e a exoneração deverá ser publicada nos próximos dias. Mesmo com a exoneração, as investigações contra Amaral devem continuar em curso.

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