Reitora da PUC pode não assumir amanhã

Conselho suspende lista de indicados para o cargo; decisão cabe a d. Odilo Scherer

CARLOS LORDELO, CRISTIANE NASCIMENTO, DAVI LIRA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h03

O Conselho Universitário (Consun) da PUC-SP acatou recurso de estudantes e suspendeu temporariamente a validade da lista tríplice de indicados para a reitoria. Com a decisão, a posse da professora Anna Maria Marques Cintra como nova reitora, marcada para amanhã, pode não ocorrer.

Ela foi a menos votada pela comunidade acadêmica em agosto, mas foi escolhida pelo grão-chanceler da universidade, o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer. Alunos e professores, a maioria em greve desde a nomeação, no dia 12, comemoraram a decisão do Consun.

A partir de hoje, a PUC-SP pode ganhar um reitor interino, o professor Marcos Masetto. A mudança administrativa depende da aprovação de d. Odilo. Ele deverá escolher entre manter a posse de Anna Cintra ou nomear Masetto para comandar a instituição até 12 de dezembro, quando haverá nova reunião do Consun e será decidido o mérito do recurso, apresentado pelo centro acadêmico dos alunos de Direito. Ontem foi o último dia da gestão do atual reitor, Dirceu de Mello - o mais votado na eleição.

As regras para a escolha do reitor na PUC-SP preveem eleição em que alunos, funcionários e professores votam. Uma lista tríplice segue para o cardeal, que tem a prerrogativa de selecionar um dos nomes. Tradicionalmente, o primeiro colocado é o escolhido. A nomeação de Anna Cintra abriu uma crise, com alegações de parte da comunidade acadêmica de que a decisão de d. Odilo feriu a "democracia".

No recurso, os estudantes afirmam que a nomeação, mesmo legal, violou artigos do estatuto e do regimento da universidade, segundo os quais os funcionários e professores devem zelar pelo patrimônio moral da PUC-SP. Os alunos lembram que Anna Cintra assumiu o compromisso, durante um debate eleitoral, de não aceitar a nomeação caso não fosse a mais votada. "Foi uma mentira assinada", diz André Paschoa, presidente do CA de Direito. "Ela desfez um compromisso, o que configura atentado ao patrimônio moral."

O recurso foi protocolado nesta semana. Embora convidada, Anna Cintra não participou do Consun. Por meio de um representante, disse aos conselheiros que não recuaria de sua decisão.

O representante da Fundação São Paulo - entidade mantenedora da PUC - pediu vistas do recurso e, como a posse da nova reitora era iminente, o conselho resolveu suspender os efeitos da lista tríplice.

Para o estudante de Jornalismo Stefano Wrobleski, a decisão do Consun representou uma "grande vitória" para o movimento grevista. "O fato de ela não ter comparecido ao Consun, órgão do qual fazem parte alunos, professores e funcionários, é preocupante. Nosso receio é de que ela passe por cima de todos e assuma a reitoria."

Segundo a presidente da Associação dos Professores da PUC-SP, Victória Weischtordt, a entidade apoiou o recurso dos alunos. "Apesar de ser uma vitória, não resolve o problema, que só foi adiado", afirma. Hoje haverá uma audiência de conciliação do sindicato com a Fundação São Paulo, que moveu recurso no Tribunal Regional do Trabalho contra a greve dos docentes.

Protesto. Ontem à noite, cerca de 400 alunos fizeram uma manifestação no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, região central. O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) foi ao protesto e disse que convocaria Dirceu de Mello e d. Odilo para prestar esclarecimentos na Assembleia. Em nota, a Fundação São Paulo informou que o cardeal ainda não foi comunicado oficialmente do resultado do Consun. A assessoria de d. Odilo disse que ele que ele estava em um retiro, incomunicável.

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