Relação com o governo é tensa há 10 anos

A relação do papa Francisco com o governo da Argentina tem sido áspera durante os últimos dez anos. O arcebispo emérito de Buenos Aires Jorge Mario Bergoglio chegou a ser apontado pelo ex-presidente Néstor Kirchner como "o verdadeiro representante da oposição".

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h25

A presidente Cristina Kirchner tem reclamado da " falta de consideração" por parte da Igreja Católica pelo "esforço" que seu governo e o de seu marido fizeram para tirar a Argentina da crise de 2001, quando o país foi à bancarrota.

Quando Néstor morreu, em outubro de 2010, Bergoglio rezou uma missa em sua homenagem. "O povo tem que abandonar todo tipo de posição antagônica diante da morte de um homem ungido pelo povo para conduzi-lo. E todo o país deve rezar por ele", afirmou na ocasião.

Bergoglio e os Kirchners trocaram farpas em várias ocasiões, especialmente durante a crise entre a Casa Rosada e o setor agropecuário.

O clima de discórdia era alimentado pela administração pública federal. Por sua vez, o novo papa sempre manteve um perfil crítico à administração kirchnerista. No ano passado, alertou para o perigo de uma sociedade dividida e para o crescimento dos níveis de pobreza no país.

Quando Cristina sucedeu o marido, a relação foi suavizada por um tempo. Mas a tensão voltou a aumentar quando o então arcebispo se opôs publicamente às leis impulsionadas por seu governo que permitiram o casamento gay e a mudança de documentos pessoais dos travestis para o sexo escolhido, além de garantir cirurgias de mudança de sexo em hospitais públicos.

Bergoglio também alertou para o perigo de "acostumar-se a ouvir e ver pelos meios de comunicação", em uma clara crítica à tentativa do governo de Cristina de regular a imprensa argentina e manipular os números oficiais sobre inflação, pobreza e insegurança. / M.G.

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