Relator do caso BRF no Cade vota por reprovação da fusão

O relator do caso Brasil Foods (BRF) no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Carlos Emmanuel Ragazzo, votou pela reprovação da união entre Perdigão e Sadia, colocando em risco o negócio bilionário que criou uma potência global em processamento de carnes.

MARIA CAROLINA MARCELLO, REUTERS

08 Junho 2011 | 18h30

Após leitura de seu relatório em julgamento no Cade nesta quarta-feira, Ragazzo pediu que o negócio seja desfeito, alegando que traria grandes prejuízos para o mercado e para os consumidores no Brasil.

"Raramente se vê nas análises antitruste uma operação em que a probabilidade de danos ao mercado e ao consumidor se mostre de maneira tão evidente", afirmou Ragazzo.

"A aprovação desse ato tem o condão (potencial) de causar o aumento de preços e danos extremos aos consumidores", acrescentou ele durante a sessão de julgamento do processo.

Segundo o relator, a BRF tem participação de mercado no Brasil superior a 50 por cento em todos os segmentos em que atua, com market share acima de 90 por cento em alguns deles.

Os comentários do relator durante a tarde fizeram as ações da BRF na Bovespa despencarem, com o mercado antecipando o voto contrário, que se confirmou quando o mercado já havia fechado.

O papel da empresa fechou o pregão regular desta quarta com queda de 6,27 por cento, enquanto o índice Bovespa perdeu 0,29 por cento. No after-market, a ação da BRF ampliou a queda para o limite, com desvalorização adicional de 2 por cento.

Após o voto do relator, o conselheiro Ricardo Ruiz pediu vista do processo. Com isso, a votação foi suspensa e deverá ser retomada na próxima quarta-feira, 15 de junho.

Ruiz, no entanto, indicou que talvez acompanhe a posição do relator.

"Embora em sincronia com o voto do relator, dada a complexidade do caso peço vista dos autos", afirmou o conselheiro ao tomar a atitude que suspendeu a análise do processo.

A BRF informou depois da suspensão do julgamento que seguirá buscando uma solução negociada com o Cade que permita a manutenção da união.

O vice-presidente de Relações Institucionais da empresa, Wilson Mello, criticou a posição do relator, que ele considerou radical.

"Continuamos trabalhando no sentido de encontrar uma solução negociada com o Cade... Uma solução que não leve para o radicalismo do voto que é a reprovação", afirmou Mello.

Perdigão e Sadia anunciaram em maio de 2009 que iriam se unir para dar origem à BRF.

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