Alex Ferreira | Câmara dos Deputados
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Relator no Conselho de Ética é sondado sobre aditamento em parecer contra Cunha

Deputados que pedem a cassação de Cunha sugerem inclusão de novas denúncias contra o peemedebista, entre elas o depoimento da própria mulher dele, Cláudia Cruz

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2016 | 20h12

BRASÍLIA - O deputado Marcos Rogério (DEM-RO), relator do processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi sondado sobre a possibilidade de aceitar um aditamento ao parecer que pede a cassação do mandato do peemedebista. Rogério disse que gostaria de ver seu relatório votado nesta terça-feira, 14, mas que vai estudar a possibilidade.

Há uma movimentação de deputados que pedem a cassação de Cunha sugerindo o aditamento com base nas novas denúncias contra o peemedebista, entre elas o depoimento da própria mulher dele, Cláudia Cruz, a delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto, apontando a participação do parlamentar em um esquema de pagamento de propina em troca de liberação de verbas do fundo de investimentos do FGTS, além de novos documentos que serão encaminhados nesta terça-feira ao Conselho de Ética pelo Banco Central.

Se o aditamento for aceito, haverá novo prazo para apresentação de defesa ou até mesmo reabertura da fase de instrução. “Não é minha intenção pedir novo adiamento”, disse o relator. Se não for acatado o pedido, as provas que surgiram após a apresentação do parecer de Rogério podem servir de base para nova representação contra Cunha caso a Câmara não aprove a cassação.

Tia Eron. Rogério se disse confiante de que a deputada Tia Eron (PRB-BA) votará pela perda do mandato e que ficará surpreso se ela mudar de posição. “Tia Eron me passou muita segurança, dela tive as melhores impressões. Ela me disse que votaria com as provas. Não acredito em mudança de comportamento”, comentou.

Alguns adversários de Cunha concluíram que Tia Eron deu sinais claros de que salvará o peemedebista e já vislumbram um outro campo de batalha: a Comissão de Constituição e Justiça. Tramita na CCJ uma consulta que pode mudar o rito de apreciação de processos disciplinares no plenário. “Não temos mais o que fazer (no conselho)”, lamentou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). “Aquela consulta não passa na CCJ. Lá é um pessoal mais independente, mais gabaritado, ex-governadores, ex-prefeitos de capitais, juristas. Acho muito difícil juristas se dobrarem”, disse o presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA).

Sobre a possibilidade de negociar com os aliados a renúncia de Cunha à presidência da Câmara, Rogério afirmou que a proposta era tardia. “Isso poderia ter sido construído em um momento que já passou. Não é o momento para esse tipo de arranjo.”

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