Relatório da OEA sobre Paraguai não é posição do bloco--Patriota

O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse nesta quarta-feira que o relatório do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre o impeachment do ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo não reflete a posição do bloco continental, que ainda discute alguma ação contra o país.

Reuters

11 de julho de 2012 | 12h09

José Manuel Insulza disse na terça-feira que o impeachment de Lugo "cumpriu os procedimentos constitucionais", mas ressaltou que "a velocidade com que o impeachment foi conduzido foi muito infeliz e criou uma aura de ilegitimidade".

O rápido processo que levou à saída de Lugo gerou forte reação dos países sul-americanos. Mercosul e Unasul alegaram desrespeito à democracia e suspenderam o Paraguai temporariamente dos blocos, mas sem a aplicação de sanções econômicas. A OEA ainda não decidiu se tomará alguma ação contra o Paraguai.

"O secretário-geral Miguel Insulza fez uma visita a Assunção e ele apresentou seu relatório aos países membros, mas as opiniões dele não constituem uma posição da OEA. É uma posição do secretário-geral", disse Patriota a jornalistas após participar de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

"Entre os países membros, ainda estamos numa fase deliberativa. O Brasil (está) se coordenando com os países da Unasul, cuja coordenação está a cargo do Peru nesse momento, e mantém as mesmas posições", disse o chanceler.

Insulza disse que uma suspensão do Paraguai da OEA "não contribuiria" para a estabilização política do país, e alertou que esta medida "teria implicações econômicas sérias" para a nação sul-americana, que enfrenta uma "situação de estabilidade política, social e econômica que merece ser preservada".

A conclusão é parte do relatório de Insulza apresentado aos membros da OEA após visita ao Paraguai.

VENEZUELA NO MERCOSUL

Patriota rebateu críticas de senadores ao processo que aprovou a entrada da Venezuela no Mercosul. O Paraguai era o único país cujo Congresso resistia à adesão do país no bloco regional, composto também por Argentina, Brasil e Uruguai.

"Essa decisão foi fruto de uma deliberação conjunta dos membros do Mercosul que decidiram o ingresso da República da Venezuela", disse Patriota na sessão.

O chanceler afirmou ainda que a entrada da Venezuela traz "diversificação da projeção internacional" do bloco, e destacou aspectos econômicos, como a elevação do Produto Interno Bruto (PIB) da aliança, que saltará de 3 trilhões de dólares para 3,3 trilhões de dólares, e que o bloco passará a representar 70 por cento da população da América do Sul.

(Reportagem de Hugo Bachega)

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