Remédios prolongam vida de quem tem câncer de pele

Duas novas drogas estudadas nos EUA aumentam sobrevida de portadores de melanoma metastático

, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2011 | 00h00

CHICAGO

Dois novos remédios prolongaram a vida de pacientes com melanoma avançado. Segundo cientistas americanos, trata-se de um avanço notável no combate a esse tipo fatal de câncer de pele. Os resultados de ambos os estudos foram publicados na edição online do New England Journal of Medicine.

Essas drogas representam sucesso em duas novas formas de combater o câncer: uma delas ataca uma mutação genética específica que acelera o crescimento do tumor; a outra, força o sistema imunológico do corpo a lutar contra a doença.

"É a hora de uma celebração sem precedentes para os nossos pacientes", afirmou anteontem Lynn Schuchter, especialista em melanoma da Universidade da Pensilvânia, no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em que os resultados foram apresentados.

As drogas não curam o melanoma, com exceção de alguns casos raros. Mas especialistas afirmar que elas podem adicionar de dois a vários meses à expectativa de vida das pessoas que possuem o câncer em estágio avançado. Até agora, pessoas com melanoma metastático -ou seja, que já se espalhou para órgãos distantes - tipicamente tinham sobrevida de seis a dez meses. Em um dos testes, 84% dos pacientes que tomaram a droga experimental vemurafenibe ainda estavam vivos após seis meses, comparado com 64% daqueles que tomaram outra droga quimioterápica, dacarbazina. Usando um outro cálculo estatístico, o risco de morte havia sido reduzido em 63%.

O efeito foi tão impressionante que o estudo foi interrompido antes do tempo por razões éticas, para que os pacientes do grupo de controle pudessem também receber a nova droga. Por causa disso, os médicos ainda não sabem qual o índice médio de sobrevivência.

"Você não precisa esperar que metade dos 675 pacientes morra para concluir que uma droga é muito melhor que outra", afirmou Antoni Ribas, da Universidade da Califórnia, um dos pesquisadores envolvidos no estudo.

A outra droga nova, ipilimumabe, quando combinada com a dacarbazina, estendeu a sobrevivência média para 11,2 meses, comparada com 9,1 meses daqueles que receberam apenas a dacarbazina. Após três anos, 20,8% daqueles que tomaram a nova droga estavam vivos, comparado a 12,2% dos pacientes que pertenciam ao grupo de controle.

Os especialistas afirmam que há muito mais a ser feito, especialmente porque o melanoma afeta mais jovens adultos que outros tipos de câncer.

"Dois anos não é nada quando você tem 30", afirmou Anna Pavlick, diretora do programa de melanoma da Universidade de Nova York. / NYT

Parkinson

Portadores de Parkinson correm até o dobro de risco do restante da população de contrair melanoma, segundo estudo publicado na revista Neurology. / AFP

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