Renascer tem que entregar plano de demolição nesta quarta

Peritos do IC ainda não puderam inspecionar o local, que corre riscos de novos desabamentos; ordem é do MPE

Bruno Tavares e Mônica Cardoso, de O Estado de S. Paulo,

21 Janeiro 2009 | 08h06

A Igreja Renascer se comprometeu a apresentar até as 15 horas desta quarta-feira, 21, um plano de demolição das paredes do templo da Avenida Lins de Vasconcelos, parcialmente destruído no desabamento ocorrido no domingo. O acordo foi assinado na noite da terça, durante reunião entre a promotora de Justiça Mabel Tucunduva, da Promotoria de Habitação e Urbanismo do Ministério Público Estadual, e representantes da igreja (o bispo Geraldo Tenuta Filho, presidente da Renascer, e o advogado Roberto Ribeiro Júnior) e da Prefeitura (o subprefeito da Sé, Amauri Luiz Pastorello).   Veja também: MP apura furto de cavalos do casal Hernandes Igreja Renascer divulga lista das vítimas do desabamento  Galeria de fotos: imagens do local e do resgate às vítimas  Todas as notícias sobre o desabamento na Igreja Renascer       Até agora, três dias depois do acidente, peritos do Instituto de Criminalística (IC) ainda não puderam inspecionar os destroços e nem recolher fragmentos da estrutura de sustentação do telhado porque há risco de novos desabamentos. Antes de ser executado, o plano de demolição deverá ser submetido à promotora e à Subprefeitura da Sé. A ideia é que os trabalhos comecem na quinta-feira, 22.   Também na quinta-feira, a promotora pretende ouvir o diretor do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), Vagner Monfardini Pasotti. Ela quer saber como se deu o processo de revalidação da licença de funcionamento do tempo, expedida em julho do ano passado, e esclarecer a informação de que o Corpo de Bombeiros não teria dado seu parecer liberando o imóvel.   Das oito residências interditadas pelo Contru, três pertencem à Renascer. Das cinco restantes, três famílias estão alojadas no Hotel Comfort, na Vila Mariana, uma está na casa de parentes e a outra, viajando. O engenheiro David Gomes, de 40 anos, está hospedado em hotel e foi ontem à vila para buscar mais informações. Ele mora na casa de número 33 há mais de 20 anos. "Minha vida está à mercê da Igreja contratar a empresa de engenharia. Não há mais vítimas no local. Acredito que a prioridade agora seja a liberação das casas", diz.   No momento do acidente, Gomes estava chegando do litoral, onde a mulher e o filho passam as férias. Parte da parede pendente caiu sobre a edícula, nos fundos de sua casa. Por sorte, ele conseguiu salvar o cachorro. Para resolver a situação, não tem trabalhado desde então. "Por enquanto, não sei de nada: quanto tempo vou ficar no hotel, se serei ressarcido", diz, lançando um olhar às casas interditadas por uma faixa amarela.   Estoque estragado   A enfermeira Soraya Ayub Morégola de Oliveira, de 44 anos, também mora na vila, mas é a casa de seus pais que está interditada. Eles estão a bordo de um cruzeiro e souberam do acidente pela televisão. "Não consegui telefonar para eles, porque o navio estava em alto-mar. Eles estão nervosos e querem encurtar a viagem", conta. Seu pai, que é representante comercial, teve o estoque de produtos alimentícios atingido pela queda de parte da parede. "Acredito que a Igreja vai indenizar todos os moradores. Caso contrário, não afastamos a hipótese de processá-la por danos materiais e morais."

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