Renda média das mulheres cresce 13,5% em uma década

Crescimento delas é bem maior que a média do País, de 5,5%; Nordeste é a região onde aumento foi mais acentuado

RIO , O Estado de S.Paulo

28 Abril 2012 | 03h07

O rendimento médio do trabalho das mulheres brasileiras cresceu 13,5% em 2010 na comparação com 2000 - muito além dos 4,1% dos homens e dos 5,5% de ambos os sexos somados, constatou o IBGE. O órgão verificou que, com as mudanças, a renda mensal média feminina, que equivalia a 67,7% da dos homens no início da série, passou a 73,8% no fim.

A pesquisa mostra que os maiores avanços da renda média mensal das trabalhadoras aconteceram no Nordeste (aumento foi de 30,3%). Quem menos avançou foi o rico Sudeste (6,5%). Os valores foram corrigidos pelo INPC, com base em setembro de 2010.

Para Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), não há surpresa nesses números. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em suas edições de 2001 a 2009, já mostrava crescimento geral da renda de mulheres e dos mais pobres. "O padrão de crescimento do Brasil é diferente do de outros países emergentes, como China e Índia", afirmou. Enquanto nesses países a expansão é mais forte nas áreas mais modernas, no Brasil ela se concentra no Nordeste - mais pobre e atrasado. "Xangai cresce dois pontos acima do resto da China. Aqui, São Paulo cresce menos que o Brasil."

A educação é o segredo do maior avanço das mulheres em comparação com os homens. "Elas passaram os homens em escolaridade em 1996", disse Néri.

Desempenho. A advogada Jocely Monteiro Guedes Ribeiro, de 46 anos, viu sua renda crescer 500% em dez anos. No meio do caminho, seu ganho mensal ultrapassou o do marido, o microempresário Pedro Tadeu Guedes Ribeiro, de 44, e de toda a família, que vive em Ibiúna (SP).

Ela conta que o desempenho financeiro começou a melhorar depois que desfez a sociedade com um colega num escritório de advocacia da cidade, em 2000. Como era muito procurada para resolver questões imobiliárias, Jocely fez pós-graduação em direito civil e processo civil, além de cursos de direito imobiliário, obteve o registro de corretora de imóveis e passou a prestar assistência em vendas e locações.

A advogada acredita que ser mulher até ajudou sua carreira profissional. "Tenho a impressão de que passamos mais confiança aos clientes."/ L.N.L e W.T.; COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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