REPERCUSSÃO-PIB agropecuário é destaque em 2011

O PIB da agropecuária brasileira encerrou 2011 com alta de 3,9 por cento, apontou o IBGE nesta terça-feira. Já o PIB nacional terminou o ano com alta de 2,7 por cento.

REUTERS

06 Março 2012 | 16h15

No quarto trimestre, a expansão do setor agropecuário foi de 8,4 por cento ante igual intervalo de 2010, mas de 0,9 por cento se comparado ao terceiro trimestre de 2011.

FÁBIO TRIGUEIRINHO, SECRETÁRIO-GERAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DE ÓLEOS VEGETAIS (ABIOVE):

"Foi um ano muito bom primeiro porque a safra foi boa, uma safra recorde... e outro aspecto... ano passado teve preços excepcionais. O setor em termos financeiros movimentou muito mais, isso acaba ajudando inclusive indiretamente... O produtor fica mais capitalizado, o dinheiro no interior corre mais, o produtor como consumidor passa a consumir mais. Isso trouxe um bem-estar no interior, e isso certamente se reflete no PIB.

O agronegócio soja (principal produto da pauta de exportações do Brasil, considerando farelo e óleo de soja) colaborou bastante. 2011 só não foi melhor por conta da taxa cambial, mas mesmo com o câmbio pressionado ainda deu para ter uma boa rentabilidade no campo. 2012, o ano não está tão bom, pela quebra de produção no Sul..."

ANTONIO CARLOS P. COSTA, GERENTE DO DEPARTAMENTO DO AGRONEGÓCIO DA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO (FIESP):

"O desempenho do PIB agropecuário de uma forma agregada foi positivo, apesar de ter culturas mais penalizadas como a cana. Foi bom para a safra de grãos. Também tem um equilíbrio tênue entre produção e oferta de alimentos e isso tem reflexo nos preços.

A China teve papel importante. Tinha o temor de que ela colocasse um freio, mas isso não aconteceu. A China ganhou 3 pontos percentuais e passou para 17,5 por cento de participação das exportações do agronegócio brasileiro.

É importante destacar também que no Brasil a maior parte da renda das famílias é destinada para a compra de alimentos, qualquer incremento como o que foi visto no ano passado reflete positivamente no setor."

CESÁRIO RAMALHO, PRESIDENTE DA SOCIEDADE RURAL BRASILEIRA (SRB):

"Os números sobre o PIB agropecuário são bom reflexo da atual situação do setor... A agricultura e a produção de carnes tiveram maior embalo no primeiro semestre, e depois infelizmente começaram a cair.

Mas as culturas destacadas pelo IBGE, fumo, mandioca, feijão... são aquelas de menor peso, inexpressivas. O primeiro semestre de 2011 foi muito bom para as commodities, os grãos, as carnes, o café e a laranja, que tiveram um correção dos preços.

Já na segunda metade do ano passado, culturas importantes começaram a perder força, como a cana que sofreu com clima e teve perda de 10 por cento. Este avanço de 0,9 por cento no trimestre já é um reflexo da dificuldade no fim do ano."

FRANCISCO TURRA, PRESIDENTE DA UNIÃO BRASILEIRA DE AVICULTURA (UBABEF):

"O comentário que eu faria é que este potencial poderia ter sido mais bem expressivo não fossem alguns problemas conjunturais. O câmbio foi extremamente desfavorável, o que não ajudou desempenho... e houve perda de competitividade pelo aumento do custo de produção, custo da mão-de-obra, energia e o custo Brasil... custo elevado dos portos.

Tivemos desempenho acima do PIB, mas poderia ser maior não fosse esta adversidade. O mundo esta demandando e os estoques estão baixos. É o momento para o Brasil."

FÁBIO SILVEIRA, SÓCIO-DIRETOR DA RC CONSULTORES:

"A agricultura teve um bom desempenho no ano passado, com forte aumento da produção agrícola e da produção de grãos, café e laranja, como no complexo carnes. Estes números do IBGE devem mostrar isso. O cenário de preços também foi favorável, mas é preciso considerar como o PIB é calculado, porque há vezes em que estes dados não são convergentes."

(Por Fabíola Gomes e Roberto Samora)

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