Representante da ONU condena ação da África do Sul contra aids

O governo da África do Sul se viu sob ataques violentos no encerramento da 16ª Conferência Internacional sobre a Aids, com alguns dos principais especialistas mundiais da doença, acusando o governo de ignorar a epidemia e promover métodos de prevenção "lunáticos".O enviado especial das nações Unidas para a Aids na África, Stephen Lewis, atacou os países do G8 por não cumprirem suas promessas de doação de recursos e insistiu que a disseminação do vírus HIV não será detida até que as mulheres dos países pobres tenham controle sobre seus corpos.Lewis disse que, de todas as coisas que mais o enfureceram em seu trabalho no combate à doença, "a África do Sul é a pior". "É o único país na África onde o governo continua a promover teorias que parecem mais coisa de um gueto lunático do que de um Estado", disse ele. O polêmico ministro da Saúde da África do Sul, Manto Tshabalala-Msimang, defende mudanças de dieta e remédios naturais contra a aids. Ele questiona a eficiência das drogas anti-retrovirais. Tshabalala-Msimang foi criticado em Toronto por usar o estande reservado à África do Sul para promover sua "receita natural" contra o HIV: limão, alho e beterraba.Lewis, que foi proibido de atuar em nome da ONU da África do Sul, disse que não era politicamente correto um funcionário da ONU criticar um Estado-membro em público, mas declarou que "não é meu serviço deixar que um governo me cale quando sei que o que ele está fazendo é imoral, errado e indefensável".O governo sul-africano se contrapõe às críticas dizendo que seu sistema de cuidado e tratamento para os portadores do HIV está Endo intensificado e já é o maior do mundo. O partido que governa o país, o Congresso Nacional Africano, já classificou falas anteriores de Lewis como "inaceitáveis".

Agencia Estado,

18 de agosto de 2006 | 19h40

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