Reprovar custa caro e não ajuda o aluno a aprender

Análise: Ernesto Faria

COORDENADOR DE PROJETOS DA FUNDAÇÃO LEMANN , O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2012 | 03h02

Os números do levantamento apontam para o grave problema do fluxo escolar no Brasil. Na mais recente avaliação do Pisa - prova internacional organizada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mede o conhecimento de alunos de 15 anos -, 36,5% dos alunos brasileiros que fizeram os testes disseram ter repetido uma série ainda no ensino fundamental.

Se considerarmos também os que repetiram uma série no ensino médio, a taxa é superior a 40%. Para efeito de comparação, nos países com os melhores resultados do Pisa, esse índice não ultrapassa os 10%. Na Finlândia, por exemplo, é de 2,8%.

Muitos defendem a premissa de que a reprovação ajuda o aluno a aprender o que é esperado para sua série, mas isso não se verifica nos dados. Entre os 4.005 alunos brasileiros que fizeram o Pisa 2009 e declararam ter repetido uma série nos anos iniciais do ensino fundamental, por exemplo, apenas 2 obtiveram um resultado plenamente satisfatório (atingiram pelo menos o nível 4 da avaliação).

Isso ocorre porque - além da baixo autoestima e do estigma que a reprovação pode causar - poucas redes têm uma proposta pedagógica para trabalhar de forma diferenciada com os alunos que estão repetindo uma série.

Também chamam a atenção as altas taxas de não aprovação (reprovação ou abandono) no início dos anos finais do ensino fundamental e no início do ensino médio. Esses indicadores parecem ilustrar como está sendo difícil para os alunos a transição entre as etapas escolares e indicam ser necessária uma reflexão sobre o tema.

Outro ponto importante: reprovar custa caro. Como os estudos e dados disponíveis mostram que essa medida não traz resultados positivos, isso preocupa. Se considerarmos o atual investimento por aluno, algo entre R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões estão sendo gastos com a repetência por ano, valores que poderiam ser investidos em outros insumos educacionais.

Por fim, também há o custo de atrasar ou desestimular a entrada dos estudantes em profissões que exigem ensino básico completo. Embora a certificação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tente ser uma solução para esse problema, uma pequena parcela da população parece ter conhecimento dessa possibilidade.

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