Repsol conta com Brasil para aumentar reservas

A maior companhia de petróleo da Espanha, Repsol, planeja aumentar suas reservas em aproximadamente um terço até 2014, e para isso pretende utilizar projetos importantes como o de Guará, no Brasil, informou o presidente da companhia, Antonio Brufau, nesta quinta-feira.

JONATHAN GLEAVE, REUTERS

29 Abril 2010 | 16h33

Os planos incluem também estimular a produção da YPF, seu braço na Argentina, entre 3 e 4 por cento por ano até 2014.

A empresa, cujas reservas decrescentes afetaram a produção na última década, está vendo aumento tanto em recursos quanto em produção, graças a descobertas maiores em campos no Brasil e no Golfo do México.

"E nós vamos continuar explorando para comprovar que o que já achamos não foi apenas sorte", disse Brufau.

A Repsol espera que o Brasil forneça mais 170 milhões de barris de óleo equivalente nos próximos cinco anos, com o investimento de 5 a 6 bilhões de dólares no período.

A companhia estima que sua fatia de 25 por cento no bloco BM-S-9, na bacia de Santos, onde está localizado Guará, representará reservas líquidas de 1 bilhão de barris de óleo equivalente. A estimativa da Repsol projeta um volume total de reservas líquidas no bloco, onde também estão Carioca e Iguaçu, de 4 bilhões de boe.

O bloco BM-S-9 foi adquirido em consórcio liderado pela Petrobras (45%), e que inclui ainda BG (30%), na segunda rodada de licitações de áreas petrolíferas do Brasil, em 2000. Desses poços, apenas Guará teve sua estimativa de reserva divulgada até o momento, entre 1,1 e 2 bilhões de barris recuperáveis.

Na região do pré-sal da bacia de Santos os volumes divulgados atingem entre 9 e 14 bilhões de barris de óleo equivalente, sendo Tupi o maior deles, com reservas de 5 a 8 bilhões de boe e Iara com entre 3 e 4 bilhões de boe.

A Repsol informou ainda que planeja gerar 35 bilhões de euros por meio de suas operações nos próximos cinco anos e mais 4,5 bilhões de euros de vendas de ativos.

A divisão upstream (E&P) da Repsol vai receber uma fatia de 28,5 bilhões de euros (37,96 bilhões de dólares), de um plano de investimento de cinco anos, com os campos brasileiros recebendo uma ampla parcela desse montante.

A empresa pretende produzir o suficiente para aumentar dividendos anuais em 10 por cento, disse Brufau, durante conferência sobre os resultados trimestrais.

O lucro líquido não ajustado da Repsol aumentou para 688 milhões de euros (916,3 milhões de dólares) ante 529 milhões no ano anterior graças a recuperação dos preços do petróleo e do gás e ao aumento da produção em suas operações no Golfo do México.

"Os resultados foram muito positicos em todas as divisões e a previsão é promissora. A Repsol está recuperando-se mas ainda há trabalho para ser feito", disse o analista do ING Jason Kenney.

As ações da Repsol fecharam em alta de 4,12 por cento para 17,54 euros nesta quinta-feira, susperando o aumento de 2,69 por cento no índice espanhol de ações.

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