Réptil marinho pré-histórico sofria de artrite, dizem cientistas

Pesquisadores da Universidade de Bristol descobriram doença degenerativa na mandíbula de animal de 150 milhões de anos.

BBC Brasil, BBC

17 de maio de 2012 | 15h51

Cientistas da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, descobriram sinais de que animais marinhos pré-históricos já sofriam com doenças degenerativas nas articulações há 150 milhões de anos.

Os pesquisadores encontraram sinais de uma doença parecida com a artrite humana em um fóssil, uma mandíbula de um pliossauro, um réptil marinho que tinha cerca de oito metros de comprimento. Apenas a mandíbula do pliossauro media dois metros e os dentes chegavam a 20 centímetros.

A cabeça dos pliossauros era parecida com a de um crocodilo, o pescoço era curto e o corpo era parecido com o de uma baleia - com quatro nadadeiras que davam o impulso para que o pliossauro perseguisse suas presas na água.

Desta forma, o animal era capaz de caçar a maioria dos outros répteis marinhos ou dinossauros.

Esta foi a primeira vez que uma doença como esta foi descrita em um fóssil de um réptil do período Jurássico.

A pesquisa foi publicada na revista especializada Palaeontology.

Mandíbula deslocada

Os ossos do pliossauro foram encontrados em Westbury, no sudoeste da Inglaterra e fazem parte do acervo do Museu de Bristol.

Judyth Sassoon, pesquisadora da Universidade de Bristol, estudou os fósseis e encontrou os sinais da doença degenerativa que causou um deslocamento anormal no maxilar inferior do réptil.

Sassoon acredita que a mandíbula pertenceu a um pliossauro fêmea de idade avançada, que desenvolveu a doença como parte do processo natural de envelhecimento. A forma do crânio, mais achatada, é o que deu a pista do sexo do réptil pré-histórico.

O pliossauro estudado deve ter vivido com este deslocamento na mandíbula durante muitos anos, pois a cientista encontrou no maxilar inferior as marcas deixadas pelos dentes do maxilar superior, feitas quando o pliossauro mordia.

"Da mesma forma que os humanos de idade avançada podem ter artrite em seus quadris, este pliossauro fêmea, já idoso, sofria de artrite em sua mandíbula e sobreviveu com este problema", disse a pesquisadora.

Fratura

Judyth Sassoon também encontrou sinais de uma fratura na mandíbula, que nunca chegou a se curar. Isso indicaria que estes ossos ficaram debilitados antes de sofrer a fratura.

Com uma mandíbula fraturada, "o pliossauro não conseguia se alimentar e esta lesão provavelmente causou a morte", afirmou a cientista.

"Você pode ver estes tipos de deformidades em animais vivos, como crocodilos ou baleias, e estes animais podem sobreviver durante anos, enquanto conseguirem se alimentar", disse Mike Benton, professor que colaborou no projeto.

"Mas deve ser doloroso. Lembre que uma baleia da ficção, a Moby Dick, do livro de Herman Melville, teria uma mandíbula deformada", acrescentou. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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