Resgatado bebê seqüestrado em hospital de PE; mulher é presa

Divanir Maria da Silva confessou ter levado a criança de menos de um dia e pode ser condenada a até 6 anos

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

15 de maio de 2008 | 12h38

Presa pelo rapto de uma recém-nascida realizado na manhã de quarta-feira, 14, no Hospital Central de Paulista, na região metropolitana, Divanir Maria da Silva, 38 anos, foi encaminhada na tarde desta quinta-feira, 15, para a Colônia Penal Feminina, no Recife. Indiciada por subtração e ocultação de recém-nascido, ela poderá ser condenada a até seis anos de prisão.  Divanir levou a criança, que será batizada como Isadora, depois de ter passado os últimos dias perambulando pelo hospital, ajudando a cuidar de recém-nascidos com a anuência das mães. Ela dizia estar acompanhando alguém próximo que havia ido dar à luz e se oferecia para ajudar as mulheres nos cuidados com os bebês. Dispôs-se a ficar com Isadora, que havia nascido no dia anterior, para que a mãe da criança, Jadilma Ferreira do Nascimento, de 26 anos, pudesse tomar banho. Sem acompanhante, Jadilma aceitou a gentileza. Ao voltar do banho, sua filha havia sumido, assim como a mulher. Ainda na noite de quarta, Divanir foi localizada pela polícia depois que a avó paterna do bebê raptado, Maria Auxiliadora do Amaral Nascimento, recebeu uma denúncia anônima indicando o local onde poderia encontrar a criança e sua seqüestradora. Encontrada em sua casa, em Paratibe, bairro do município metropolitano de Abreu e Lima, Divanir tentou mentir e chegou a confundir a polícia. Mostrou a pulseirinha no braço da nenê - disse, depois, ter conseguido com uma enfermeira - com o seu nome, o espaço para o bebê, com berço e produtos para recém-nascidos, e uma ultrassonografia que comprovaria sua gestação. Contradições Nesta quinta, depois de ouvir várias versões da história - todas contadas por Divanir - e falar com os envolvidos no caso, o delegado de plantão de Paulista, Eronildo Rodolfo de Farias, chegou a uma versão que considera "a mais plausível", mesmo que repleta de informações a serem confirmadas. De acordo com esta versão, Divanir Maria da Silva, mãe de Patrícia Maria de Souza, de 19 anos, não tinha filhos com o atual marido, Luciano Soares, 34 anos, com quem é casada há 11 anos. Ela teria engravidado no ano passado, depois de uma inseminação artificial, mas teria sofrido um aborto natural logo nos primeiros meses. Sem contar nada a ninguém, simulou a evolução da gravidez, chegou a comprar uma ultrassonografia de uma grávida para ter provas da gestação, fez chá de bebê e na sexta-feira passada foi ao Centro de Saúde Amaury de Medeiros, no Recife, para ter a criança. Ligou para a filha Patrícia informando que o bebê havia nascido. No dia seguinte, informou que a criança havia morrido e que havia se submetido a uma esterectomia (retirada do útero), pois não poderia ter mais filhos. Informou que, por isso, ficaria mais uns dias na maternidade. Desde o sábado, Divanir passou a fazer visitas diárias ao Hospital Central do município de Paulista. Afirmava estar acompanhando alguém da família, e conquistou a confiança de mães e parturientes, sempre se prontificando a ajudar. Na oportunidade que teve, levou Isadora. Saiu tranqüilamente, sem obstáculos. Testemunhas afirmam que ela teria saído com uma sacola grande - onde teria colocado a nenê. Abortos Divanir teria tido cinco filhos do primeiro companheiro. Apenas Patrícia sobreviveu. Os outros morreram - um por aborto natural, os outros depois de crescidos. Ao chegar em casa com a criança, disse à filha Patrícia, que a havia ganhado de uma família. Com um filhinho de seis meses que ainda mama, coube a Patrícia alimentar Isadora. O marido de Divanir nada teria percebido e não soube responder a questões básicas levantadas pelo delegado, como por exemplo, se a mulher menstruava. Depois do desespero, Jadilma Ferreira do Nascimento mostrou-se aliviada e feliz com a filhinha nos braços. "Foi uma emoção muito grande, como se ela tivesse nascido naquele momento, quando a peguei nos braços de novo". A continuidade das investigações ficará a cargo da Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA). O Hospital Central de Paulista também será investigado. Não há controle dos acompanhantes que entram no hospital no horário de visita. Texto ampliado às 18 horas

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