Resgatados mais 3 corpos de acidente com avião da Air France

As equipes que trabalham nas buscas relacionadas ao acidente com o avião da Air France que caiu no oceano Atlântico recolheram nesta quinta-feira mais três corpos, o que eleva para 44 o total de corpos resgatados, informaram a Marinha e a Aeronáutica.

REUTERS

11 Junho 2009 | 20h34

Segundo o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica, os corpos foram avistados por aviões e depois recolhidos pela fragata Constituição, da Marinha brasileira, a mais de mil quilômetros da costa brasileira.

"Eles (os corpos) estavam naquela área que nós havíamos colocado como primordial, que havia mais probabilidade", disse o brigadeiro em entrevista coletiva no Recife.

Borges Cardoso informou que as condições meteorológicas na região estarão mais favoráveis para as buscas na sexta-feira.

"A previsão para amanhã é que o tempo esteja em melhores condições. E com o deslocamento da corrente puxando os corpos e destroços para uma área mais a noroeste, nós teremos então uma possibilidade melhor de trabalho amanhã", declarou o brigadeiro.

O voo AF 447 caiu no dia 31 de maio quando fazia a rota Rio de Janeiro-Paris com 228 pessoas a bordo.

Os trabalhos de buscas contam com o apoio da França, incluindo o submarino nuclear Émeraude e o navio anfíbio Mistral, que já têm autorização para atuar numa área do oceano mais próxima a Dacar, onde pode haver mais corpos.

"Todo nosso planejamento leva em conta essa possibilidade", disse Borges Cardoso, reafirmando que a "logística das buscas está preparada para até dia 19".

Na tarde de sexta-feira, 37 destroços da aeronave Airbus recolhidos do mar chegam a Recife e serão entregues aos franceses, responsáveis pela investigação do acidente. Sobre as buscas pelas caixas-pretas, o brigadeiro disse não ter informação, porque está a cargo dos franceses e "eles não terão que passar essas informações para nós".

As causas do acidente permanecem sem explicação. Segundo investigadores, uma falha nos sensores de velocidade pode ter tido participação preponderante, mas outras hipóteses não são descartadas.

Nesta quinta-feira, presidente-executivo da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, disse que a companhia não está convencida de que falhas nos sensores de velocidade estariam entre os fatores responsáveis pela queda. Mas a empresa está substituindo os sensores antigos como precaução.

IDENTIFICAÇÃO

Em nota, a Aeronáutica e a Marinha afirmaram que nesta manhã foi concluída a transferência de 25 corpos que estavam na fragata Bosísio para Fernando de Noronha, onde passam por perícias preliminares.

"Os corpos serão transportados para Recife em duas etapas, conforme o andamento dos trabalhos periciais. A primeira etapa deverá ser concluída na manhã de sábado", disse o comunicado.

Em Fernando de Noronha são realizados "inspeção visual, coleta de material genético (DNA), coleta de impressões digitais e a catalogação dos corpos, vestimentas e objetos resgatados juntos a cada vítima", informou a Polícia Federal nesta semana.

No Recife, os peritos do Instituto Médico Legal iniciaram na tarde de quinta-feira o trabalho de identificação dos 16 primeiros corpos resgatados, informou a Polícia Federal à Agência Brasil. Os corpos chegaram à capital pernambucana às 2h da madrugada.

Não há previsão para a encerramento das identificações. Caso seja necessário o exame de DNA, ele será feito em Brasília.

O efetivo atual da Marinha na operação chega a 585 militares, e a FAB permanece com 255.

(Texto de Tatiana Ramil; Edição de Roberto Samora)

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