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Resgate mantém buscas após terremoto na Nova Zelândia;65 morrem

Equipes de resgate trabalham sob holofotes madrugada adentro em busca de pessoas soterradas depois do terremoto de terça-feira em Christchurch, segunda maior cidade da Nova Zelândia. Pelo menos 65 pessoas morreram.

ADRIAN BATHGATE, REUTERS

22 de fevereiro de 2011 | 17h45

Cerca de 120 sobreviventes já foram resgatados, mas o número de mortos ainda deve subir. Foi o segundo terremoto forte em cinco meses na cidade, que tem quase 400 mil habitantes.

"Podemos estar testemunhando o dia mais negro da Nova Zelândia (...). O saldo de mortos que tenho no momento é de 65 e pode subir", disse o primeiro-ministro John Key, que é oriundo de Christchurch e viajou à cidade.

A delegacia de polícia local foi transformada em necrotério improvisado, e 32 corpos já foram identificados. Outros cadáveres permaneciam nas ruas durante a madrugada (à tarde no Brasil).

O tremor de magnitude 6,3 ocorreu na hora do almoço (fim da noite de segunda-feira no Brasil). Ruas e lojas estavam muito movimentadas, e os escritórios ainda estavam ocupados.

Esse foi também o mais letal desastre natural no país desde 1931, quando um sismo em Napier (norte) matou 256 pessoas.

Ao anoitecer, e sob chuva, as equipes de resgate se concentravam em dois edifícios: um de quatro andares, com escritórios financeiros, e outro onde funcionavam uma emissora de TV e uma escola de inglês. Uma autoridade do Japão disse que 12 alunos japoneses supostamente estão desaparecidos. Na emissora de TV, era possível ouvir gritos de sobreviventes soterrados.

REFÚGIO

Oito pessoas foram retiradas com vida do edifício, e sabe-se que seis outras estavam refugiadas juntas. No edifício financeiro, havia mais 22 soterrados, dos quais pelo menos três fizeram contato. Alguns dos soterrados estavam sem ferimentos.

"Estamos recebendo mensagens de texto dos vivos, e esse é o nosso foco no momento", disse o chefe de polícia Russell Gibson a uma rádio.

O prefeito Bob Parker descreveu a cidade como uma zona de guerra, decretou estado de emergência e ordenou que o centro fosse isolado. Soldados em blindados patrulham as ruas.

A caminho da cidade, um correspondente da Reuters viu estradas e prédios destruídos.

Christchurch é considerada um pedaço da Inglaterra no Hemisfério Sul. Tem uma famosa catedral, agora praticamente destruída, e um rio chamado Avon - como na Inglaterra. Tem muitos edifícios históricos, construídos em pedra, e também é frequentada por estrangeiros que desejam aprender inglês e por turistas que a usam como trampolim para excursões pela Ilha Sul da Nova Zelândia.

ALBERGUES

Albergues foram instalados em escolas e numa pista de corridas. Helicópteros foram usados para debelar um incêndio em um prédio de escritórios, e um guindaste serviu para ajudar trabalhadores retidos em outro imóvel.

"Eu estava na praça bem em frente à catedral - toda a fachada caiu, e tinha gente correndo de lá. Havia gente do lado de dentro também", disse John Gurr, técnico de câmera que presenciou o tremor.

Imagens aéreas de TV mostraram casas elegantes em ruínas nos subúrbios, e estradas isoladas por barreiras.

EUA e Japão ofereceram ajuda, e a Austrália enviou 148 especialistas em resgates, inclusive com cães farejadores.

A rainha Elizabeth, da Grã-Bretanha, manifestou solidariedade e disse estar "chocada" com o terremoto.

Christchurch está edificada num terreno de lodo, areia e cascalho, sobre um aquífero. Num terremoto, a água sobe, misturando-se à areia e transformando o solo em um pântano que engole ruas e carros.

O terremoto de setembro havia sido mais forte (magnitude 7,1), mas num horário de menor movimento, e não provocou mortes. O tremor desta vez foi mais raso, o que o tornou mais devastador.

O epicentro foi cerca de 10 quilômetros a sudoeste da cidade. A Nova Zelândia fica entre as placas tectônicas do Pacífico e Indo-Australiana, e tem em média 14 mil terremotos por ano, dos quais cerca de 20 costumam passar da magnitude 5.

(Reportagem adicional de Yoko Kubota em Cingapure)

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