Respeito o desespero de Marcos Valério, diz Gilberto Carvalho

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse nesta segunda-feira desconhecer o publicitário Marcos Valério, apontado como principal operador do mensalão, e afirmou respeitar o "desespero" do réu, que tenta vincular o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao esquema.

Reuters

05 de novembro de 2012 | 14h13

Reportagem da revista Veja publicada no fim de semana diz que Valério afirmou em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) que Lula e Carvalho teriam sido extorquidos por um empresário que ameaçava relacioná-los à morte do então prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), em 2002.

Valério foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 40 anos de prisão por envolvimento no esquema de compra de apoio parlamentar ao primeiro mandato do ex-presidente Lula.

"Nunca vi Marcos Valério, nunca falei com ele, nem por email. Não tem nada a ver. Nunca soube dessa história também de chantagem em Santo André", disse Carvalho a jornalistas após evento no Palácio do Planalto. O ministro já havia negado conhecimento do caso em nota no fim de semana.

"Eu não sei (o que Marcos Valério está tentando com isso). Vocês devem imaginar. Tenho até que respeitar o desespero dessa pessoa", disse ele.

Valério teria aceitado contribuir com a Justiça em troca de uma pena mais branda, segundo a reportagem da revista. A pena do publicitário ainda pode ser alterada, já que o processo de definição das penas ainda está em andamento no Supremo.

O publicitário já tentou envolver o ex-presidente Lula no escândalo em outras vezes. Carvalho classificou a tentativa como "natural".

"O presidente Lula nunca teve nada com essa história. Está longe, fora disso completamente. Se tem uma coisa que não nos preocupa, não nos perturba é isso", disse ele.

Carvalho negou que tenha a intenção de processar judicialmente Valério pelas acusações. "Não vou me dar ao trabalho disso. Eu tenho mais coisas a fazer."

O ministro reuniu-se nesta manhã com a presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, o encontro foi para discutir "coisas de governo" e que a presidente não abordou a questão do mensalão.

A cúpula petista à época do escândalo também foi condenada pelo Supremo. As penas do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoino e do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares ainda não foram definidas. A fase de cálculo das penas dos condenados será retomada na quarta-feira.

(Reportagem de Hugo Bachega)

Tudo o que sabemos sobre:
POLITICAMENSALAOGILBERTOLEGAL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.