Resultado fiscal do setor público é o pior de setembro

O setor público consolidado brasileiro registrou déficit primário de 5,763 bilhões de reais em setembro, pior resultado para o mês da série histórica iniciada em 2001.

ISABEL VERSIANI, REUTERS

30 Outubro 2009 | 13h42

Em setembro de 2008, o resultado primário havia sido superavitário em 6,618 bilhões de reais.

O resultado primário negativo, reflexo de uma forte deterioração das contas do governo federal, foi acompanhado de elevação dos juros apropriados pelo setor público no mês por conta da valorização do real frente ao dólar.

A relação dívida/PIB, como consequência, teve alta expressiva no mês e alcançou 44,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), frente a 44,0 por cento do PIB em agosto, mostraram os dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira.

"Os dados do resultado fiscal do governo consolidado de setembro corroboram o que vínhamos argumentando sobre a forte tendência de deterioração do resultado fiscal para o ano", afirmou em relatório a Rosenberg Consultores Associados, que prevê que o governo não cumprirá a meta fiscal do ano.

A meta é de superávit primário de 2,5 por cento do PIB, saldo que pode cair a até 1,56 por cento do PIB se o governo conseguir abater das contas a totalidade dos gastos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o ano.

Em 12 meses encerrados em setembro, o superávit primário foi equivalente a 1,17 por cento do PIB, ante 1,59 por cento do PIB em 12 meses até agosto.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, afirmou que os resultados irão melhorar nos últimos três meses do ano, levando o primário a convergir para a meta.

"Os números hoje mostram que as receitas devem começar a reagir positivamente em linha com o nível de atividade", afirmou a jornalistas.

Caso o país cumpra a meta flexibilizada de 1,56 por cento do PIB, a relação dívida/PIB fechará o ano em 44,2 por cento do PIB, segundo projeção do BC. Se a meta cheia for alcançada, a relação ficará em 43,3 por cento.

JUROS EM ALTA

Apesar da queda da Selic, o volume de juros incorporados em outubro foi o maior da série do BC, de 16,664 bilhões de reais ante 13,204 bilhões de reais em agosto.

Segundo Altamir, a alta foi reflexo da valorização cambial, que afetou negativamente as receitas com ativos públicos indexados ao dólar.

O saldo primário negativo, aliado aos juros recordes, resultou em déficit nominal também recorde, de 22,427 bilhões de reais.

No mês, o governo federal teve déficit de 8,02 bilhões de reais. Estados e municípios registraram superávit de 1,72 bilhão de reais e as estatais, superávit de 535 milhões de reais.

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