Retomada de transposição desrespeita o povo, diz bispo

O bispo de Barra, na Bahia, d. Luiz Flávio Cappio, disse hoje que a retomada das obras de transposição do Rio São Francisco é "uma fotografia da imensa insensibilidade e falta de atenção e de respeito do governo federal com os movimentos sociais e a sociedade civil como um todo". Ele reiterou a falta de diálogo do governo federal em torno de uma obra de tal grandeza, orçada em R$ 4,9 bilhões. No mês passado, o religioso fez uma greve de fome de 24 dias contra o projeto."O governo federal não quer dialogar com o povo, não aceita a participação da sociedade brasileira, que foi alijada e marginalizada", acusou d. Cappio, ao reafirmar a "total falta de espírito democrático" do governo federal. Hoje, as obras foram iniciadas nos municípios de Cabrobó e Floresta, no sertão de Pernambuco, sem manifestações ou protestos dos movimentos sociais que condenam o projeto do governo federal. "Nosso estilo de trabalho não é o confronto", afirmou o bispo."Estou aberto para conversar, é só ele telefonar", reagiu o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. "Eu converso com todo mundo, sou um homem do Parlamento, experimentado no contraditório", disse. Porém, o ministro disse que não vai admitir que o diálogo embuta a premissa de paralisação das obras. No final de fevereiro, os movimentos sociais contrários à transposição irão se reunir em Sobradinho, na Bahia, em assembléia geral.

ANGELA LACERDA, Agencia Estado

07 de janeiro de 2008 | 19h24

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