Reunião do clima propõe acordo fraco

Texto levado à plenária final da conferência previa prorrogação do Protocolo de Kyoto até 2020; porém, com metas pouco ambiciosas

GIOVANA GIRARDI , ENVIADA ESPECIAL / DOHA, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2012 | 02h05

Com todos os eventos extremos que afetaram o mundo neste ano, era de se esperar mais. O mundo já está sentindo os impactos que podem ser trazidos pelas mudanças climáticas, mas o texto final apresentado ontem em Doha (Catar) na Conferência do Clima da ONU passa a impressão de que ainda há muito tempo para lidar com o problema.

Após duas semanas de negociações, não foi possível contornar a velha dicotomia entre ricos e pobres. Países em desenvolvimento pedem mais ambição na redução de emissões e na doação de dinheiro dos países desenvolvidos e esses, apesar de se dizerem comprometidos em combater as mudanças climáticas, afirmam que por enquanto não têm como se comprometer com mais do que já fazem. Até o início da noite em Doha, apesar de muitos terem se mostrado descontentes com a proposta, esperava-se que ela fosse aprovada na plenária final da conferência.

O principal resultado seria a prorrogação de um fraco Protocolo de Kyoto até 2020. No grupo de trabalho sobre cooperação de longo prazo, que trata de questões como mitigação, adaptação e finanças, vários pontos foram deixados para depois. Em relação à Plataforma de Durban, que prevê o estabelecimento de um novo tratado climático até 2015, para entrar em vigor em 2020, foi elaborado um guia bastante vago sobre como serão os trabalhos nos próximos anos.

Sobre Kyoto, que passa a valer já em 1º de janeiro de 2013, manteve-se uma meta baixa de redução de emissões e uma concessão, mesmo que limitada (de 2,5%), para que países do Leste Europeu e ex-membros da União Soviética carreguem para o segundo período seu chamado "ar quente", créditos de emissões reduzidas que esses países têm porque diminuíram suas emissões além da meta.

Países em desenvolvimento não queriam que isso fosse para frente porque a tal redução não é exatamente real. Como eram muito ineficientes ao fim do regime comunista, simples ações de eficiência energética serviram para cumprir a meta. Esse "ar quente", dizem os críticos, pode comprometer a integridade ambiental do novo Kyoto.

Para o Brasil, que considerava a continuidade do protocolo essencial, uma vez que ele manterá as bases legais de comparação para um novo tratado pós-2020, o resultado poderia ter sido melhor, mas ao menos se evitou o colapso de Kyoto. Sem ele, provavelmente não haveria como começar a pensar o novo regime.

Mas o País teve de amargar um desgosto. Estados Unidos, União Europeia, Noruega e outros países ricos conseguiram retirar do futuro acordo uma referência ao acordo fechado na Rio+20, que reafirmava a equidade e as responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Todos os países que reclamaram de falta de ambição no texto da conferência carioca se juntaram, agora, para tirar sua referência.

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