Revisão reduz à metade queda do desmatamento da Amazônia

Índice da diminuição do desmate no bioma em 2010 caiu de 13,6% para 6,2%; ainda assim, é a menor taxa desde 1988

MARTA SALOMON / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2011 | 03h02

Aumentou em 549 quilômetros quadrados a área desmatada na Amazônia no ano passado. A correção, anunciada ontem, tornará menos expressivo o provável aumento do ritmo das motosserras da próxima taxa oficial, a ser divulgada em novembro.

A taxa de desmatamento de 2010, inicialmente anunciada em 6.451 km², foi revista pelo Inpe para 7 mil km². "A variação ocorreu dentro da margem de erro de 10%", disse o diretor do Inpe, Gilberto Câmara. Em porcentuais, a queda do desmatamento anunciada em 2010 caiu de 13,6% para 6,2%. Ainda assim, a taxa de 2010 é a menor desde 1988.

"Tem acontecido sistematicamente a estimativa inicial ficar aquém do número real do desmatamento", disse Câmara em relação os dados do sistema Prodes, divulgados uma vez por ano, com base no corte de árvores registrado entre agosto de um ano e julho do ano seguinte.

Informações dos satélites do sistema Deter - que capta o desmatamento em tempo real, mas de forma menos precisa - indicam um aumento em 25% no ritmo das motosserras entre agosto de 2010 e julho de 2011. Mantida a mesma relação entre os dois sistemas de monitoramento do Inpe, a taxa anual de 2011 poderá alcançar quase 8 mil km², o equivalente a mais de cinco vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Esperança. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, não confirma a projeção. "Estamos esperançosos. O que estamos vendo é a redução do desmatamento e parte dos alertas do Deter são relativos à degradação e não ao corte raso da vegetação."

Ela destacou os dados de agosto, quando imagens de satélite apontaram desmate de 164 km² da floresta. Trata-se do melhor resultado para um mês de agosto nos últimos 23 anos, quando começou a apuração do dado.

O governo comemora o dado como a reversão de um surto de desmatamento entre março e junho, liderado por Mato Grosso (769 km²) e associado a mudanças na legislação ambiental do Estado. Proporcionalmente, o desmatamento aumentou ainda mais (103%)em Rondônia, mas a ministra relacionou o fato à construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira.

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