Paulo Pinto/AE-3/12/2010
Paulo Pinto/AE-3/12/2010

Reynaldo Gianecchini é internado com câncer

Ator foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin, tipo mais comum da doença, que costuma regredir totalmente após quimioterapia

Fernanda Bassette, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2011 | 00h00

O ator Reynaldo Gianecchini está com linfoma não Hodgkin. A doença, que atinge os linfócitos (células de defesa do organismo), foi diagnosticada após o ator ser internado no Hospital Sírio-Libanês com suspeita de faringite.

Gianecchini confirmou o câncer por meio de uma nota oficial emitida pela TV Globo. "Estou pronto para a luta e conto com o carinho e o amor de todos vocês", afirmou no documento.

O ator continua internado e não tem previsão de alta. O hospital só deve soltar um boletim médico hoje. Gianecchini estava em cartaz com a peça Cruel, mas o espetáculo foi cancelado por tempo indeterminado.

A doença. Os linfomas se dividem em dois grandes grupos: de Hodgkin, que atinge cerca de 10% das pessoas, e o não Hodgkin, o mais comum.

O linfoma não Hodgkin atinge todas as faixas etárias e se subdivide em cerca de outros 20 subtipos. O tratamento varia de acordo com isso. O subtipo de Gianecchini ainda não foi confirmado pela equipe médica.

O principal sintoma do linfoma é o inchaço indolor dos linfonodos (conhecido popularmente como íngua) no pescoço, nas axilas ou na virilha. Outros sinais também comuns são febre, suor (geralmente à noite), cansaço excessivo, dor abdominal, perda de peso, pele áspera e coceira.

Levantamento da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) feito com 1,8 mil pacientes aponta que entre o primeiro sintoma até o início do tratamento foram quase cinco meses. "O gânglio aumentado é o que faz o paciente procurar um médico. Mas esse tempo ainda é muito longo", diz a hematologista Ana Lúcia Cornachioni, do comitê científico da Abrale.

As causas do linfoma ainda não são completamente conhecidas, mas a doença costuma ser associada à exposição a pesticidas, herbicidas, doenças autoimunes ou a pacientes que se expuseram a transplantes.

Em geral, o tratamento envolve quimioterapia ou radioterapia isoladas, quimioterapia associada a anticorpos monoclonais (tratamento dado à presidente Dilma Rousseff) e até um transplante de medula óssea. "O linfoma responde muito bem à quimioterapia e costuma regredir totalmente", diz Ana Lúcia.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima o surgimento de 9,1 mil novos casos da doença por ano: 4,9 mil em homens e 4,2 mil em mulheres. Em 2008, foram registradas 3.568 mortes.

Segundo a hematologista Jane Dobbin, chefe do Serviço de Hematologia do Inca, na última década o número de casos de linfoma tem aumentado cerca de 3% por ano. "É um fenômeno mundial", afirmou a médica.

PARA LEMBRAR

Em abril de 2009 a presidente Dilma Rousseff foi diagnosticada com linfoma não Hodgkin de células grandes. O gânglio tinha 2,5 cm e estava na axila esquerda. Após o diagnóstico, a presidente se submeteu a sessões de quimioterapia e de radioterapia. Como a doença estava em estágio inicial, as chances de cura eram superiores a 90%.

No ano passado, o Ministério da Saúde incluiu o rituximabe, usado no tratamento de Dilma, na lista de medicamentos cobertos pelo SUS.

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