Rice regressa ao Oriente Médio com poucos sinais de avanço

Com poucos resultados para mostrar,a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, realiza nestefim de semana sua quarta visita a Israel e aos territóriospalestinos desde a conferência de paz de Annapolis, realizadaem novembro. Viajando antes da visita a ser feita pelo presidentenorte-americano, George W. Bush, entre os dias 13 e 18 de maio--Bush pretende ir a Israel, à Arábia Saudita e ao Egito--,Rice partiu de Washington na quinta-feira e se reunirá comautoridades dos dois lados a fim de avaliar o estágio dasnegociações de paz. Seus esforços, porém, acontecem em meio a poucos sinaisvisíveis de progresso. Autoridades norte-americanas e analistas manifestaramdescrédito sobre a viagem da secretária, que começa em Londres,na sexta-feira, quando Rice deve realizar negociações comvistas a reavivar a economia dos territórios palestinos,controlar o programa atômico de Israel e dar apoio àrecém-declarada independência de Kosovo. A secretária dirige-se então para Jerusalém e para aCisjordânia a fim de reunir-se, no sábado e no domingo, com oprimeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, o presidentepalestino, Mahmoud Abbas, e assessores dos dois. "Tudo isso são esforços realizados nos bastidores. Rice nãofalará muita coisa em público. Ela está tentando fazer com queos dois lados discutam as questões centrais e que avancem arespeito delas", afirmou uma importante autoridade dos EUA quenão quis ter sua identidade revelada. Entre suas várias atividades, a secretária, segundo essaautoridade, avaliaria "o quão ativa precisará ser ao apresentarsuas próprias idéias para os dois lados envolvidos a fim de queo processo dê um passo adiante." O governo Bush tem optado por não circular sugestõespróprias com vistas a fazer os dois lados superarem suasdiferenças, preferindo deixar que trabalhem esses pontos emcontato direto um com o outro. Martin Indyk, ex-embaixador dos EUA em Israel e hojepesquisador do Instituto Brookings, mostrou-se cético quanto àpossibilidade de o atual governo norte-americano apresentarsuas idéias sobre como selar um acordo de paz que colocaria fima um conflito de seis décadas. "Não vejo nenhum sinal disso. Acho que a atitude bastanteclara deles a respeito disso --ou ao menos a atitude dopresidente-- é de que cabe às partes envolvidas chegar a umacordo", disse Indyk. "ARES DE INSATISFAÇÃO" Segundo o analista, as negociações sobre as fronteiras, osassentamentos judaicos, o status de Jerusalém e o destino dosrefugiados palestinos poderiam estar avançando. Porém, o ar dedescontentamento de Abbas ao reunir-se com Bush em Washington,na semana passada, sugeria o contrário. "Abu Mazen (Abbas) saiu daqui (dos EUA) com ares deinsatisfação --e eu acho que isso é um sinal de que as coisasnão estão correndo muito bem", afirmou. Indyk disse ainda achar "muito mais preocupante" o fato deter havido poucos avanços práticos, notando que Israel, desdeas negociações de paz de Annapolis, adotou várias manobras paracontinuar ampliando seus assentamentos e que pouco fez paradiminuir os bloqueios montados dentro da Cisjordânia. Do lado palestino, não se sabe ainda se as forças desegurança controladas por Abbas teriam sido melhoradas osuficiente para enfrentar os grupos militantes. Em Londres, Rice participará de um encontro do Quarteto demediadores para o Oriente Médio --EUA, União Européia (UE),Rússia e a Organização das Nações Unidas (ONU) -- e de umareunião com entidades responsáveis por fazer doações para ospalestinos. A secretária também tomará parte, ao lado de grandespotências mundiais (além dos EUA, a Grã-Bretanha, a França, aChina, a Rússia e a Alemanha), de discussões sobre apossibilidade de melhorar o pacote de incentivos oferecido aoIrã em 2006 a fim de convencer esse país a abrir mão de seuprograma de enriquecimento de urânio. O Conselho de Segurança da ONU adotou três conjuntos desanções contra o Irã porque esse país não atendeu à exigênciado órgão para que paralisasse seu programa, que poderia serusado na fabricação tanto de combustível de usina nuclearquanto de material de bombas atômicas. O Irã não cedeu às sanções e rechaçou ofertas anterioresenvolvendo a troca de benefícios econômicos pela suspensão doenriquecimento de urânio. O país islâmico afirma que pretendedominar essa tecnologia para produzir energia elétrica emusinas nucleares e, assim, ampliar a exportação de petróleo egás natural. Em junho de 2006, as seis potências mundiais ofereceram aoIrã vários incentivos, entre os quais cooperação na áreaatômica e a ampliação dos laços comerciais nos setores daaviação civil, da alta tecnologia e da agricultura. A Rússia e a China defendem ampliar a oferta de benefícios,ao passo que os EUA, que romperam suas relações diplomáticascom o Irã depois da Revolução Islâmica (de 1979), rechaçam essaidéia. Um diplomata do Ocidente disse acreditar ser improvável queos seis países cheguem a algum acordo sobre o aumento dosincentivos. "Eu não identifico qualquer chance de avanço nesseponto", afirmou. Um outro diplomata ocidental, no entanto, disse que umacordo dependeria de a Rússia e a China aceitarem uma melhoriamais modesta na oferta de benefícios. "Esse é, na nossa opinião, um exercício voltado mais paramostrar às autoridades e à opinião pública iranianas, caso issoseja possível, que essa é a segunda parte de um pacote quemuitas vezes parece estar esquecido", afirmou.

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