Rio+20 deveria levar países a assumirem compromissos

Indagada sobre um possível resultado concreto da Rio+20, a ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu nesta quinta-feira que os países sejam obrigados a assumir compromissos para a produção e o consumo sustentáveis. Para ela, seria "excepcional" se a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável terminasse, em junho, com "uma obrigação para todos" nesse sentido.

FELIPE WERNECK, Agência Estado

10 Maio 2012 | 14h21

Izabella não detalhou como seriam essas obrigações. Citando especificamente os países desenvolvidos, ela afirmou que "os padrões de consumo deles não podem ser replicados para todo o planeta". A ministra participou pela manhã do evento Sustentável 2012, promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) no Jardim Botânico do Rio.

Antes da rápida entrevista, Izabella disse na cerimônia que o desenvolvimento sustentável é "quase um mantra", mas não se consegue implementá-lo. "Ninguém é contra o desenvolvimento sustentável, então por que não se implementa?" Para que isso ocorra, segundo ela, é preciso ser pragmático. "Na geopolítica do desenvolvimento, vai ganhar quem tiver ousadia para a inovação", afirmou. Segundo ela, o momento é de "ruptura e transição", e o Brasil é o país com "melhor vantagem competitiva no longo prazo" nesse quesito.

Depois questionada sobre as críticas em relação justamente à suposta falta de ousadia do Brasil na liderança das negociações para a Rio+20, a ministra afirmou que essa avaliação é equivocada. Como anfitrião, disse ela, o País precisa "assegurar resultados". "A ousadia está, primeiro, em incluir todos e, segundo, em fortalecer o multilateralismo. Isso é uma convicção. Não estamos negociado bilateralmente. Estamos negociando a ambição de um futuro melhor com todos os países membros."

Negociador chefe do Brasil, o embaixador André Corrêa do Lago afirmou que "não faz sentido isolar a questão ambiental", ao defender a posição brasileira contrária à criação de uma agência ambiental global nos moldes, por exemplo, da Organização Mundial do Comércio (OMC). A transformação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em uma agência mais forte e independente é defendida por cerca de 140 países, entre eles os europeus e africanos. Os EUA são contra.

"Há 40 anos se discute a integração do meio ambiente com o desenvolvimento sustentável. A Rio+20 precisa fortalecer o Conselho de Desenvolvimento Sustentável. Não faz sentido isolar novamente o meio ambiente." Segundo ele, não há consenso para a transformação do Pnuma em uma agência ambiental global.

Para o embaixador, a nova geopolítica do desenvolvimento torna as negociações "muito mais difíceis" do que há 20 anos, na Eco-92, mas ao mesmo tempo "isso provoca entusiasmo". "É natural que todos os países defendam seus setores mais frágeis, seu desenvolvimento."

Sobre a recente declaração do coordenador da Rio+20, Brice Lalonde, de que o Brasil estaria cauteloso demais nas negociações, o embaixador comentou:

"O Brasil tem uma função muito importante e cuidadosa. Uma coisa é o que falamos nas grandes reuniões. Outra coisa é presidir uma conferência. O interesse do Brasil é contribuir para o consenso."

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