Rio+20 discute subsídios e impasses persistem nas negociações

As negociações para o texto final da Rio+20 entraram em seu último dia nesta segunda-feira, e os países participantes seguem em impasse quanto ao fim de subsídios, financiamento de projetos de sustentabilidade e transferência de tecnologia.

HUGO BACHEGA, REUTERS

18 de junho de 2012 | 18h46

O Brasil, que lidera as negociações, está alterando a redação ou retirando parágrafos que enfrentam grandes divergências entre os países, disseram à Reuters três fontes a par das discussões.

O fim dos subsídios ao petróleo é um dos pontos de maior disputa. Países como Venezuela e Arábia Saudita, que utilizam recursos públicos para exploração e produção, são resistentes à ideia, assim como nações que concedem o benefício a consumidores, como Índia e Nigéria, que argumentam ser uma ferramenta de inclusão social.

Os países críticos à medida dizem que o G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, já havia concordado em reduzir os subsídios, mas que, até agora, nada foi feito neste sentido.

As divergências sobre financiamento e transferência de tecnologia para projetos de sustentabilidade, que impediram a aprovação de um texto na sexta-feira, ainda estavam mantidas nas últimas horas de negociações.

Países ricos, tradicionais financiadores e os mais afetados pela crise econômica internacional, recusam se comprometer com novos aportes, posição adotada desde o início da conferência.

A proposta de criação de um fundo de 30 bilhões de dólares, feita pelo G77 --grupo que reúne países em desenvolvimento, incluindo Brasil e China--, foi retirada do texto em discussão, num sinal claro da resistência dos países ricos em fazer desembolsos.

As nações desenvolvidas se opõem também à obrigatoriedade de transferência de tecnologia e, segundo uma das fontes, que falou sob condição de anonimato, as negociações se baseiam, agora, em compromissos voluntários.

O Brasil pressiona para que o texto seja aprovado ainda nesta segunda-feira, antes da reunião de chefes de Estado e governo, entre 20 e 22.

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