Rio 2016 tem plano para evitar falhas na venda de ingressos

Comitê organizador de Jogos no Brasil diz que cidade terá 'resultado melhor do que Londres'.

Paula Adamo Idoeta, BBC

03 de agosto de 2012 | 15h27

A organização dos Jogos do Rio-2016 quer "flexibilizar" a venda de ingressos e a ocupação de última hora de espaços vazios nas arenas olímpicas para evitar os problemas enfrentados por Londres-2012, disse nesta sexta-feira o diretor-geral do Comitê Olímpico e Paraolímpico carioca, Leonardo Gryner.

Em entrevista coletiva em Londres para marcar os quatro anos restantes para a Olimpíada do Rio, Gryner afirmou que o plano é, assim que for identificado que uma arena vai estar com lugares vazios, "poder ocupá-la em cima da hora" - por exemplo, com pessoas que estejam esperando nos arredores do estádio ou ginásio.

O comitê também quer evitar combinar dois jogos em uma mesma sessão - em Londres, alguns ingressos servem para duas partidas, fazendo com que muita gente compareça a apenas uma delas, deixando o estádio vazio na outra.

"A questão dos ingressos é uma preocupação de qualquer comitê organizador", disse Gryner. "É um desafio controlar a presença das pessoas nos estádios. Elas compram ou ganham os ingressos, mas não comparecem. Tenho certeza que o Rio vai ter um resultado melhor do que Londres, mas reconhecemos que é um desafio imenso."

A percepção de que muitos assentos estão vazios durante as competições olímpicas tem sido uma das principais críticas feitas ao comitê organizador de Londres-2012. Em algumas arquibancadas, havia muito poucas pessoas nas áreas credenciadas para a "Família Olímpica", espaço voltado para autoridades, federações esportivas, atletas, jornalistas e patrocinadores.

Alguns lotes de ingressos foram colocados à venda nos últimos dias, para tentar driblar o problema. Mas teme-se que muitos ingressos corporativos (cedidos a empresas e patrocinadores) não estejam sendo usados.

Gryner disse que não pretende eliminar o modelo de "Família Olímpica", mas flexibilizá-lo: "quando for um jogo de etapa preliminar, com menos interesse de VIPs, podemos oferecer mais lugares para o público, e ampliar as áreas de imprensa e hospitalidade para jogos de mais demanda".

Transporte

Outra grande preocupação para Rio-2016, diz Gryner, é com o sistema de transporte. "A lição é que aqui (em Londres) o transporte está funcionando bem. Vamos levar a experiência para o Rio."

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, e Maria Silvia Bastos Marques, presidente da Empresa Olímpica Municipal, que participaram da coletiva por teleconferência, detalharam os planos para sete trechos de metrô ou BRT (rapid bus transit, similar a um trem de superfície).

Segundo ela, dois dos trechos da BRT Transcarioca, na Barra e próximo ao Maracanã, ficarão prontos a tempo para a Copa de 2014.

O principal legado, dizem as autoridades, será o Parque Olímpico, na Barra, cuja previsão de conclusão é em dezembro de 2015 e que vai virar um centro de treinamento para atletas de ponta.

Paes, que no dia 12 de agosto participará da cerimônia de passagem de Londres-2012 para Rio-2016, citou o "compromisso de entregar (as arenas) com bastante antecedência, para que tudo possa ser testado".

Gryner afirmou que o comitê organizador tem 150 observadores em Londres, para tirar lições de áreas como transporte, saúde e esportes. A principal meta deles é levar de volta ao Brasil uma dimensão da demanda criada pelos Jogos à estrutura da cidade. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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