Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Rio celebra união de 43 casais homossexuais

Cerimônia foi conduzida pelo desembargador Siro Darlan no prédio da Central do Brasil e integra programa Rio sem Homofobia

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2011 | 00h00

O Rio celebrou ontem a união estável de 43 casais homossexuais no 6.º Ofício de Notas, no prédio da Central do Brasil, como parte do programa Rio sem Homofobia. Os padrinhos da cerimônia foram o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, e a secretária estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Maria Célia Vasconcelos.

Entre os casais estava o formado pelo jornalista Liorcino Mendes, de 47 anos, e o estudante Odílio Torres, de 21. Os dois haviam tido o registro da união cancelado no dia 10 pelo juiz Jerônymo Pedro Villas Boas, da 1.ª Vara da Fazenda Pública de Goiânia. A decisão do magistrado foi anulada anteontem, e o registro revalidado - mas os dois decidiram realizar novamente a união.

"Já estávamos no Rio quando a decisão do juiz foi derrubada e havíamos gastado dinheiro com passagens e hospedagens, então decidimos ficar", contou Liorcino. "Com um segundo registro, temos uma segurança maior para a união e damos uma resposta política contra esse absurdo", continuou.

Os dois afirmaram que esperam que Villas Boas seja punido por ter contrariado uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Em maio, o STF reconheceu por unanimidade a união estável homoafetiva.

Acolhimento. A cerimônia coletiva de união foi conduzida pelo desembargador Siro Darlan, que defendeu o registro da união entre pessoas do mesmo sexo. "O papel do Estado e do Direito é acolher, não rejeitar. Já é passado o tempo em que as pessoas se incomodavam com a preferência sexual alheia", afirmou o desembargador.

Com vestidos brancos, a coordenadora de marketing Elizabeth Cunha, de 29 anos, e a supervisora de vendas Flávia Nogueira, de 27, celebraram pela segunda vez a união que começou há seis anos. As duas haviam participado de uma cerimônia em um templo de umbanda em 2009, mas só tiveram o registro oficializado ontem. "Este é um passo muito importante para garantir nossos direitos. Nossas famílias aceitam isso bem, mas o reconhecimento legal pelo governo pode facilitar muitas questões, como a adoção", disse Elizabeth.

Reações. Durante a chegada dos casais ao prédio da Central do Brasil, por volta das 16 horas, muitos curiosos se concentraram em frente ao local.

A operadora de telemarketing Luana Helena, de 25 anos, que é evangélica, mostrou-se surpresa com a cerimônia. "Mas é legalizado mesmo?", perguntou às amigas. "Na verdade, eu não concordo com isso. Acho absurdo, porque no futuro vão autorizar a adoção de filhos por esses casais, o que pode mudar a realidade das crianças. É inaceitável", reagiu a jovem.

O professor Luiz Antônio da Silva, de 40 anos, que também é evangélico, concordou com a celebração. "Cada um pode fazer o que quiser, então não pode existir esse preconceito. Sou evangélico, mas meu pastor nunca falou nada contra isso."

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