Rio deve evitar riscos financeiros com Olimpíada, diz ex-prefeito do Barcelona

Construir grandes estádios para esportes pouco populares é armadilha a ser evitada.

BBC Brasil, BBC

30 de novembro de 2011 | 10h36

No planejamento de um evento do porte de uma Olimpíada, assumir riscos financeiros para tirar o projeto do papel pode parecer justificável, mas na opinião diretor-executivo da agência da ONU Habitat, Joan Clos, essa é uma impressão falsa e uma estratégia perigosa.

"Nem o Rio ou qualquer outra cidade precisa entrar em aventuras injustificadas para sediar os Jogos Olímpicos ou qualquer outro evento esportivo desse porte", afirma Clos, que foi prefeito de Barcelona entre 1997 e 2006.

"Na verdade, organizar uma Olimpíada não passa de um grande processo de gestão, semelhante ao que grandes empresas e grandes cidades enfrentam cotidianamente, com todos os desafios envolvidos."

Embarcar em grandes empréstimos pode prejudicar todo o país e não apenas a cidade-sede, como ocorreu com a Grécia, que sediou os Jogos Olímpicos em 2004.

Além disso, na opinião de Clos, os jogos são justamente o momento para se aproveitar os recursos disponíveis, tanto pela participação do Estado como a de empresas privadas, para se emplacar projetos e ideias que nunca têm recursos suficientes para sair do papel.

"É um grande empurrão para essas melhorias. O impacto de uma olimpíada pode transformar uma cidade para sempre."

Evitando elefantes brancos

O espanhol afirma que é preciso ter em mente a ideia de que passado o mês dos jogos (incluindo os paraolímpicos), todos voltam para suas casas, e por isso é crucial direcionar esse investimento da melhor maneira possível.

Uma das armadilhas a serem evitadas é justamente a construção de arenas para esportes de pouca tradição no país. "A modalidade vai continuar sendo impopular e o estádio se tornará um grande elefante branco", afirma. Para ele, o melhor é investir em instalações provisórias, que possam ser usadas para outras finalidades após os jogos. Londres vem investindo em estádios desse tipo, que já inclusive despertaram o interesse do prefeito do Rio, Eduardo Paes. Um dos grandes trunfos de Barcelona ao sediar a Olimpíada de 1992 foi, segundo o espanhol, usar os jogos como uma maneira de lidar com a crise que afetava o país nos anos 80. E entre os principais objetivos estava o de impulsionar o turismo na cidade.

"E nos saímos muito bem", afirma. "Por isso, visto que o Rio já é uma das cidades turísticas mais conhecidas do mundo, tem tudo para seguir o mesmo caminho." Para Clos, a cidade carioca tem um grande potencial para, com a Olimpíada, transformar seus espaços em locais que podem ser bem utilizados no futuro, gerar emprego e melhorar a condição de vida da população. "Será uma oportunidade imperdível - e também uma grande responsabilidade - para o Brasil mostrar sua nova imagem, a de país emergente." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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