Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Rio expõe memória da loucura

Mostra conta 159 anos de terapia mental no País

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2011 | 00h00

A trajetória da assistência psiquiátrica no Brasil nos últimos 159 anos será exibida no Instituto Municipal Nise da Silveira, no Engenho de Dentro, zona norte do Rio, como parte das comemorações do centenário da instituição. A mostra Memória da Loucura, organizada pelo Centro Cultural da Saúde, documenta as formas de tratamento, com imagens, prontuários de mais de cem anos e maquinários em desuso - como os equipamentos de eletroconvulsoterapia.

As fotografias mostram desde o primeiro hospício, imóvel suntuoso, com salões amplos, construído nos moldes de hospitais franceses na Praia Vermelha, na Urca. O Hospício de Pedro II, inaugurado pelo imperador, ganharia o apelido de Palácio dos Loucos e logo sofreria com a superlotação - recebeu 3.201 pacientes entre 1890 e 1894.

"A mostra também tem imagens do mesmo hospício no período de decadência, além das colônias agrícolas distantes da cidade. São fotografias belíssimas, que expõem a superlotação dos hospitais nas décadas de 40, 50 e 60, quando dois pacientes chegavam a dividir o mesmo leito", explica a coordenadora do Centro Cultural do Ministério da Saúde, Jussara Valladares.

Outro módulo mostra o processo que levou à reforma psiquiátrica. "Hoje há um outro entendimento de que não tem de trancafiar, de que não se deve usar camisas de força ou eletrochoque", afirma Jussara.

O Centro Cultural do Ministério da Saúde resgatou prontuários médicos com registros do tratamento de pacientes desde 1850. Os documentos são restaurados, classificados e formam uma base de dados disponível para consulta no prédio histórico na Praça XV.

Além dessa exposição, um show de Ney Matogrosso abre as comemorações pelo centenário do Instituto Nise da Silveira, inaugurado em 11 de junho de 1911 como Colônia de Alienadas do Engenho de Dentro, criada para receber o excedente de mulheres do Hospício de Pedro II.

Ao longo dos anos, foi mudando o perfil de atendimento. Transformou-se em Centro Psiquiátrico Nacional e em Centro Psiquiátrico Pedro II. Foi ali, nos anos 1950, que a psiquiatra Nise da Silveira começou a estudar quadros e esculturas feitos pelos pacientes nas aulas de terapia ocupacional. Tinha início o Museu de Imagens do Inconsciente, que hoje reúne mais de 300 mil obras.

Hoje o instituto mantém 90 leitos para internação em caso de crise.

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