Rio Negro atinge marca histórica e chega a 29,78 metros

O rio Negro superou nesta quarta-feira o marco histórico de cheia chegando aos 29,78 metros. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) é que o Negro continue subindo. De acordo com o alerta de cheia da instituição, o nível do rio este ano pode chegar aos 30,13 metros. A última grande cheia em Manaus foi registrada em 2009, quando o rio chegou aos 29,77 metros, no dia 1º de julho.

RENATA MAGNENTI, Agência Estado

16 Maio 2012 | 13h48

Anterior a essa data, o fenômeno de maior cheia ocorreu no dia 9 de junho de 1953, quando o rio marcou pico de 29,69 metros. O curioso é que a maioria dos picos de cheia em Manaus acontece no mês de junho, 19% em julho e apenas 6% em maio. Em Manaus, assim como em outros 52 dos 62 municípios do Amazonas, a situação é de emergência. Ao menos 10 mil famílias foram afetadas na capital. No comércio, 140 lojas instaladas na zona central foram atingidas e 40 delas fecharam as portas.

Na próxima semana, pelo menos 120 feirantes que trabalham na feira da "Manaus Moderna", na rua Coronel Jorge Teixeira, também no centro, serão transferidos para uma feira provisória na avenida Lourenço Braga, na mesma região, mas em uma parte mais alta.

A Prefeitura liberou verba emergencial no valor de R$ 626 mil para construção dos boxes da feira provisória. Em 2009, mais de 150 feirantes da Manaus Moderna tiveram que ser transferidos para uma feira provisória construída pela Prefeitura. O chefe de Hidrologia do CPRM, Daniel Oliveira, afirmou que o rio Negro continuará subindo nos próximos dias, pois vem recebendo a contribuição de chuvas que tem ocorrido na própria bacia no Negro. "Além disso, o que provoca a subida do Negro são as precipitações em toda a bacia hidrográfica, como nas calhas do Solimões, Purus e Juruá, causando represamento recorde".

O titular do Subcomando de Ações de Defesa Civil (Subcomadec), tenente-coronel Roberto Rocha, informou que subiu para 52 o número de municípios em situação de emergência. Os municípios do Careiro e Anamã devem elevar o alerta para calamidade. "Nestas cidades as aulas já foram suspensas, o serviço hospitalar é precário, faltará água e alimentação e haverá racionamento de energia. Estudamos a possibilidade de retirarmos os moradores destas cidades", declarou.

Em todo o Estado, mais de 75 mil famílias sofrem com a subida dos rios. Além disso, a economia regional, entre elas a agricultura, acumula perda de mais de R$ 34 milhões, tendo afetado produções em 36 municípios. A produção de mandioca, por exemplo, amarga prejuízo na ordem de R$ 13 milhões e o cultivo da banana mais de R$ 6 milhões. A Defesa Civil do Estado já distribuiu mais de 130 toneladas de ajuda humanitária entre cestas básicas, kits de higiene pessoal, de limpeza e medicamentos.

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