Rio Negro bate marca histórica de cheia

Índice de 2009 - de 29,77 metros - foi ultrapassado em 1 centímetro; no Estado, 53 municípios, entre eles Manaus, estão em situação de emergência

RENATA MAGNENTI, ESPECIAL PARA O ESTADO, MANAUS, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2012 | 07h44

O Rio Negro superou ontem a marca histórica de cheia, chegando aos 29,78 metros. A última grande cheia em Manaus foi em 2009, quando o rio chegou aos 29,77 metros, no dia 1.º de julho. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) é de que o nível da água continue subindo e alcance neste ano 30,13 metros.

Antes da marca de 2009, o pior período de cheia havia sido registrado em 9 de junho de 1953, quando o rio marcou 29,69 metros. A maioria dos picos de cheia em Manaus aconteceram nos meses de junho e julho. Apenas 6% ocorreram em maio, como agora.

Em Manaus, assim como em outros 52 dos 62 municípios do Amazonas, a situação é de emergência. Nos municípios de Careiro e Anamã, o alerta deve ser elevado para calamidade.

"Nessas cidades, as aulas tiveram de ser suspensas, o serviço hospitalar é precário, faltarão água e alimentação e haverá racionamento de energia. Estamos estudando a possibilidade de retirarmos os moradores dessas cidades", declarou o titular do Subcomando de Ações de Defesa Civil (Subcomadec), tenente-coronel Roberto Rocha.

Na capital, estima-se que pelo menos 10 mil famílias estejam em situação precária. No comércio, 140 lojas instaladas na zona central de Manaus foram atingidas e 40 delas fecharam as portas.

Na próxima semana, pelo menos 120 feirantes que trabalham na feira da Manaus Moderna, na Rua Coronel Jorge Teixeira, também no centro, serão transferidos para um local provisório, em uma região mais alta.

A prefeitura liberou verba emergencial de R$ 626 mil para construção dos boxes nessa feira provisória. A situação é semelhante à ocorrida em 2009, quando os feirantes também acabaram sendo transferidos.

Estado. Em todo o Estado, mais de 75 mil famílias sofrem com a subida dos rios. A agricultura regional acumula perda de mais de R$ 34 milhões, tendo afetado produções em 36 municípios. A produção de mandioca, por exemplo, amarga um prejuízo na ordem de R$ 13 milhões e o cultivo da banana, mais de R$ 6 milhões.

De acordo com o chefe de Hidrologia do CPRM, Daniel Oliveira, o Rio Negro continuará subindo nos próximos dias, pois vem recebendo a contribuição de chuvas na própria Bacia no Negro.

"Além disso, o que provoca a subida do Negro são as precipitações em toda a bacia hidrográfica, como nas calhas do Solimões, Purus e Juruá. Isso está causando um represamento recorde", explica.

Segundo Oliveira, a CPRM deve emitir nesta sexta-feira mais um boletim de monitoramento, com o objetivo de detalhar como está a subida dos rios no Amazonas e se há a possibilidade de inicio de vazante.

Auxílio. A Defesa Civil do Estado distribuiu mais de 130 toneladas de ajuda humanitária entre cestas básicas, kits de higiene, de limpeza e medicamentos. Foram entregues também mais de 33 mil cartões Amazonas Solidário no valor de R$ 400 cada, e o governo liberou um aporte financeiro de mais R$ 850 mil.

Na semana passada, a administração federal autorizou o repasse de R$ 7 milhões ao governo do Amazonas para a execução de ações de socorro, assistência às vítimas e aquisição de produtos de higiene e limpeza, além de medicamentos e alimentos. Com esses recursos, o Estado contabiliza um total de R$ 17,5 milhões recebidos do governo federal para auxílio às vítimas.

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