Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Rio protesta contra desaparecimentos não esclarecidos

Ativistas estenderam na Praia de Copacabana faixa com a pergunta 'onde está Amarildo?', em referência a pedreiro que sumiu após ter sido levado por PMs à UPP da Rocinha

Marcelo Gomes e Clarice Cudischevitch, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2013 | 08h49

Atualizado às 10h40.   RIO - A ONG Rio de Paz realiza, na manhã desta quarta-feira, 31, um ato público na Praia de Copacabana, na zona sul do Rio, em protesto contra os casos de desaparecimento não esclarecidos no Estado. Os ativistas estenderam na areia uma faixa que pergunta "onde está Amarildo?", em referência ao pedreiro Amarildo Souza, que sumiu em 14 de julho após ter sido levado por PMs à Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Favela da Rocinha.

Dez manequins cobertos com um tecido branco que representam as vítimas foram espalhados nas areias da praia, simbolizando os 35 mil casos de desaparecimento no Estado do Rio desde 2007, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). O fundador do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, explica que o tecido de filó que envolve os corpos fazem alusão à incerteza de não se conhecer o paradeiro dessas pessoas. Faixas vermelhas representam o sangue das vítimas, que muitas vezes são torturadas antes de mortas, e máscaras mostram que "os desaparecidos deixam de ser vistos como humanos e passam a ser considerados números".

"São 35 mil desaparecidos, além dos casos não registrados nas delegacias, que não sabemos se estão mortos", diz Costa. "Eles podem ter sido enterrados em cemitérios clandestinos, queimados, entregues para animais, jogados no mar ou até mesmo podem ter tido seus corpos consumidos por ácido, um recurso que tem sido usado e não deixa vestígios."

 

Costa ressaltou a violência excessiva da polícia no Estado do Rio, que matou mais de 5 mil pessoas de 2007 a maio de 2013, segundo o ISP. "O policial deveria trabalhar para a pólis, mas é inimigo da população. E não há quem policie a polícia, que tem como um de seus símbolos uma caveira." Ele lembrou de casos como o da engenheira Patricia Amieiro, desaparecida em 2008 ao ser perseguida pela polícia após não parar em uma blitz na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. "Até pouco tempo, a mãe de Patricia esperava que a filha voltasse para casa."

O fundador da ONG explicou também que a família de Amarildo iria participar do ato de hoje em Copacabana, mas a mulher do pedreiro ficou bastante alterada após ver o corpo de uma mulher em uma vala na Rocinha, nessa terça-feira, 30, para checar se seria dele. No entanto, eles devem participar de um novo ato na quinta-feira, 1, na própria comunidade.

Câmeras. As câmeras da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha pararam de funcionar no mesmo dia em que Amarildo foi levado para lá por policiais "para averiguação", em 14 de julho. O relatório da empresa Emive, responsável pelas duas câmeras instaladas na UPP, que aponta o defeito nos equipamentos justamente no dia do sumiço do pedreiro, foi obtido pelo RJTV, da Rede Globo. Das 80 câmeras da Emive instaladas na Rocinha, apenas as duas da sede da UPP apresentaram problemas.

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