Rio quer delação premiada para Nem denunciar policiais

Mesmo sem citar explicitamente a delação premiada, que troca colaboração com a Justiça por redução de pena, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, defendeu ontem que seja oferecida ao traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, ex-chefe do tráfico na favela da Rocinha, "alguma medida judicial" para que revele o que sabe sobre corrupção na polícia fluminense. O secretário afirmou que algum instrumento legal que estimule o traficante a dar informações à Corregedoria seria útil, mas foi cauteloso em relação à veracidade das informações do criminoso, que teria dito à Polícia Federal que metade do que faturava ia para policiais corruptos.

AE, Agência Estado

15 de novembro de 2011 | 07h28

"Seria uma oportunidade importantíssima o oferecimento de alguma medida judicial para que ele pudesse contribuir com a Justiça e a polícia. Qualquer palavra no depoimento dele será minuciosamente investigada", disse Beltrame à TV Globo, sem dar detalhes sobre o que Nem - preso na quarta-feira quando tentava fugir da Rocinha no porta-malas de um carro - já falou. "Ele tem conhecimento não só da arquitetura do tráfico, mas do assédio que ele teria no que se refere à corrupção. Nós esperamos ansiosamente que ele possa nos dar qualquer tipo de dado para que a gente puxe esse novelo."

Beltrame afirmou que há interesse da polícia em aumentar sua credibilidade depurando sua porção corrupta. Na semana passada, policiais foram presos escoltando bandidos da quadrilha da Rocinha em fuga.

O secretário esclareceu que sabia de uma negociação de policiais civis para que Nem se entregasse, mas relativizou a credibilidade de interlocutores como o advogado que tentou subornar os PMs que flagraram o traficante. Ele disse acreditar que a cronologia dos fatos esclarecerá as dúvidas sobre o envolvimento de diferentes agentes no monitoramento do traficante. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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