Rio registra 1º caso de morte por dengue 4

Primeira vítima no País é uma enfermeira internada em hospital particular; subtipo voltou a circular em 2010

CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

21 Março 2012 | 03h03

O primeiro caso de morte por dengue tipo 4 no País foi registrado na capital fluminense. A vítima é uma enfermeira de 49 anos, moradora de Todos os Santos, na zona norte, que estava internada em um hospital particular. Investigação feita pela Secretaria Municipal de Saúde aponta falha no atendimento.

O subtipo 4 voltou a circular no Brasil em agosto de 2010, depois de 30 anos sem registros e é predominante entre as amostras testadas no Rio de Janeiro - corresponde a 76,2% dos 147 exames realizados. Desde o início do ano, 16.323 casos de dengue foram notificados no município e 24.295 no Estado. Um menino de 9 anos morreu da doença, em fevereiro, no Rio. Outro caso de morte está sendo investigado em São Gonçalo, no Grande Rio.

A enfermeira, identificada como Ana, foi atendida em 27 de fevereiro no Hospital Municipal de Piedade. Ela teve o diagnóstico de dengue, com confirmação laboratorial. Recebeu alta em 1.º de março, após apresentar melhora de alguns parâmetros, como a contagem de plaquetas.

No dia seguinte, a paciente sentiu dores abdominais e procurou o Hospital Pasteur. Lá, os médicos suspeitaram de cálculo na vesícula, de acordo com a investigação feita por uma comissão da Secretaria Municipal de Saúde.

"A investigação indica que a paciente teve a avaliação de risco equivocada no Hospital Pasteur. O prontuário mostra que o atendimento não seguiu o protocolo de dengue preconizado pelo Ministério da Saúde", afirmou o superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Márcio Garcia.

Perguntado se houve falha no hospital municipal, que deu alta à paciente, Garcia disse que ela foi liberada depois de receber a orientação de voltar à unidade caso voltasse a se sentir mal.

"No Pasteur não foi dada continuidade ao tratamento que ela recebeu no Hospital da Piedade, que incluía hidratação. Caso seja constatado erro no manejo da paciente - seja no hospital municipal, seja no particular -, o importante é corrigir esse erro para que não se repita", afirmou.

Cálculo. O Estado apurou que, no Hospital Pasteur, em vez de receber hidratação, a paciente foi colocada em dieta restritiva, pois os médicos desconfiavam de cálculo na vesícula. No dia seguinte, eles também suspeitaram de hepatite e pancreatite. Em nota, o Pasteur informou que "a paciente recebeu o tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde para os casos de suspeita de dengue e foi indicada a internação".

O den-4 não é mais perigoso que os outros subtipos, mas o paciente pode desenvolver a forma grave da dengue se já tiver contraído a doença.

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