Rio terá sistema da Microsoft para combater a pedofilia

Novo sistema permitirá o rastreamento e amazenamento de IPs dos usuários de crimes online

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 20h03

A Polícia Federal e a Microsoft vão estender ao Rio a parceria que mantém para o combate à pedofilia e demais crimes cibernéticos. O Estado será o primeiro a receber o CETS, programa desenvolvido pela multinacional de softwares que permite rastrear e armazenar dados dos IPs (Internet Protocols) dos usuários que praticam crimes na Internet.   Veja também: Aposentado é preso por violentar a própria neta Pintor é preso por violentar filha e sobrinha na zona leste de SP PF vai usar imagens da Interpol no combate à pedofilia   O diretor de Programas de Engajamento com o Governo da Microsoft, André Batista, esclareceu que o rastreamento será realizado pela troca de informações entre as polícias. "Se houver uma alerta sobre um crime no Rio, o sistema pode indicar que uma ocorrência com as mesmas características acontece em Brasília, por exemplo", explicou o diretor da Microsoft. Entre as informações que podem ser trocadas entre as polícias estão os servidores e números de IPs suspeitos.   "A pedido da Secretaria de Segurança Pública, estamos estendendo o CETS para o Rio. É um programa de rastreamento, que coleta informações e deixa os dados disponíveis para as investigações", disse ontem o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, após a abertura da V Conferência Internacional de Perícias em Crimes Cibernéticos, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.   De acordo com o diretor da PF, os agentes também dependerão de autorização judicial para usar o CETS. "Qualquer interceptação seja telefônica, cibernética ou de dados cai no mesmo sistema. Por isso, o nosso cuidado quando há um desvio de conduta seja de agente público ou de um criminoso que agrida o princípio constitucional da privacidade", declarou Corrêa.   Com controle e sem restrição   Corrêa aproveitou a ocasião para reafirmar que não aceitará qualquer restrição da investigação "a pretexto de crimes cometidos" . "O primeiro a ser penalizado é o agente público. Parte-se do princípio de que se deve reduzir da capacidade da polícia para proteger o cidadão e na verdade estamos dando um tiro no pé. Nós temos é que ter mais capacidade tecnológica, mais transparência e controle", defendeu Corrêa, em suposta referência aos projeto que visam restringir as autorizações judiciais às escutas telefônicas.   O diretor da PF afirmou que a instituição não teme o controle. " Quem trabalha dentro da lei como a PF não tem medo de controle. Pelo contrário, a cadeia de custódia de provas passa pela legalidade do procedimento. O controle judicial do MP e da sociedade dá legitimidade a minha prova", afirmou Corrêa.   Ao ser questionado sobre uma suposta apreensão com o andamento da CPI dos Grampos, o diretor da PF disse que acredita no bom-senso dos parlamentares. "A CPI começa em um contexto emocional, mas conforme os técnicos são ouvidos sempre resultam em bons relatórios. O bom-senso sempre prevalece e com esta não será diferente", opinou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.